Vida dos irmãos de Toffoli no interior de SP destoa de luxo de resort no Paraná

Bahia Brasil justiça

Influentes na cidade, parentes do ministro do STF têm evitado serem vistos nas ruas

Por Alex Sabino e Diego Felix – Sábado, 24 de janeiro de 2026

(Folhapress) – Ao ouvir o som do interfone, alguém olha pela janela e fecha imediatamente a cortina. Nem diante da insistência, responde.

A casa em uma rua estreita no bairro Jardim Universitário, em Marília, no interior de São Paulo, não parece com a do dono de um resort de luxo. São três carros espremidos na garagem. Um BYD, um Toyota Etios e um Volkswagen Taos. Somados, eles têm um valor de mercado de cerca de R$ 400 mil.

É o endereço de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) José Antonio Dias Toffoli. A casa também foi colocada como sede da Maridt Participações, empresa que tinha participação no resort Tayayá e na DGEP Empreendimentos em Ribeirão Claro (PR), e vendeu sua parte por um total de R$ 6,7 milhões em duas etapas.

Nesta semana, a mulher de José Eugênio, Cássia, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que ela nunca soube que o imóvel era sede da empresa ou de ligações com o resort.

Funcionários do hotel relataram à Folha que os Toffolis ainda são vistos como donos do empreendimento junto com o atual proprietário Paulo Humberto Barbosa, advogado que atua para a JBS, a multinacional de carnes dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O resort oferece piscinas aquecidas, passeios de caiaques, quadras de beach tennis e cassino. O ministro Dias Toffoli costuma chegar ao local de helicóptero.

Empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio o fundo de investimento Arleen, ligado ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central por fraudes contra o sistema financeiro. A atuação de Dias Toffoli, relator do caso no STF, é questionada e ele sofre pressão para deixar a função.

A reportagem tocou várias vezes a campainha da casa onde moram José Eugênio e Cássia. Apesar da movimentação no interior do imóvel, ninguém respondeu ou deixou a residência nesta sexta-feira (23).

Desde o início da divulgação do caso, parentes do ministro têm evitado ser vistos nas ruas de Marília, onde são uma das famílias mais influentes. Luiz Toffoli, pai de Dias Toffoli, é nome de avenida: uma via ainda em obras, vizinha à área verde onde bois e vacas pastam e que serve de ligação da região central para a Chácara Recanto Quatro, no Condomínio Estância Uberlândia.

“A Maridt já deu a sua comunicação. Passar bem e até logo.”

Após a resposta lacônica, José Carlos Dias Toffoli, o padre Carlão, desligou o interfone. Ele se refereriu à Maridt Participações S.A., empresa da qual é sócio, ao lado de José Eugênio, e que tinha participação no Tayayá.

Por causa da sociedade, ele se afastou da paróquia Sagrada Família e hoje, como cônego, tem o título de “uso de ordens”. De acordo com a assessoria da Diocese de Marília, isso significa que ele continua habilitado a rezar missas, mas apenas quando é convidado ou não há outro religioso para fazê-lo. Não tem uma paróquia própria.

Padre Carlão continua uma figura popular, mas tem aparecido pouco nas últimas semanas, segundo relatos.

Vizinhos da casa onde morou no bairro Castelo Branco, próximo à Igreja Sagrada Família, dizem que ele costumava visitar o local, mas isso não acontece há algum tempo. A casa é modesta, de portão branco e quintal coberto, mas está toda fechada.

Ele tem ficado mais na chácara, onde tem um chalé e área verde. Há uma placa com o nome da proprietária pendurada na grade, sinalizando que o imóvel é alugado pelo irmão do ministro Dias Toffoli. Desde seu afastamento, em 2021, ele deixou de receber a remuneração de padre que, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desempregados), está em R$ 2.467, em média.

A “comunicação” à qual o padre se refere é uma nota enviada por José Eugenio em que ele afirma que a participação da Maridt no resort foi encerrada em duas negociações: uma com o grupo Arleen, em setembro de 2021, e outra para a PHD Holding, em fevereiro de 2025. Ele diz que todas as informações foram declaradas à Receita Federal.

Dados da Junta Comercial do Paraná mostram, no entanto, que as vendas tiveram períodos mais esticados: em setembro de 2021, a Maridt vendeu ao fundo Arleen quase metade de sua participação no resort Tayayá por R$ 618,9 mil e saiu do negócio em fevereiro de 2025, quando recebeu R$ 698 mil da PHD.

A DGEP Empreendimentos e Participações, que foi utilizada como veículo para o quadro societário do Tayayá, contou com a Maridt como sócia. Em setembro de 2021, os irmãos Toffoli venderam parte do negócio ao Arleen por R$ 3,1 milhões e as cotas remanescentes em fevereiro de 2025 à PHD por R$ 3,5 milhões.

A Folha tentou falar com José Eugênio, mas ele não atendeu às ligações e nem respondeu às mensagens.

O integrante da família que aparenta melhor nível de vida é Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli e que fazia parte do grupo Tayayá. Ele reside em um condomínio fechado chamado Recreio Santa Gertrudes. Uma casa no local com três quartos é negociada por R$ 2,5 milhões.

Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que Degani integrava, desde 1999, o bloco fundador do grupo que construiu o resort. Ele deixou a sociedade entre julho e setembro de 2025 por um total de R$ 12 milhões.

Na portaria, a reportagem foi informada que ele havia viajado a Londrina. Ele não atendeu aos telefonemas.

Entre os nove irmãos da família, os Toffoli também tiveram um prefeito em Marília. José Ticiano Toffoli ocupou o cargo entre 2011 e 2012. Não há envolvimento registrado dele com o resort Tayayá. Ele também não respondeu aos contatos da Folha.

Fonte: ICL Noticias /

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *