Brent e WTI dispararam mais de 7% nesta terça-feira (3)
Terça, 3 de março de 2026
Os preços do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira (3), refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e o temor de interrupções no fornecimento global da commodity. O movimento foi impulsionado por declarações do Irã sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo.
Às 7h34 (horário de Brasília), o barril do Mar do Norte, referência internacional, avançava 6,70%, cotado a US$ 82,95 para entrega em maio. Nos Estados Unidos, o contrato do West Texas Intermediate (WTI) para abril subia 7,30%, a US$ 76,43. Outro contrato da commodity registrava alta de 5,45%, negociado a US$ 81,98.
O salto nas cotações ocorre em meio ao temor de que o conflito regional se prolongue e atinja diretamente a infraestrutura energética da região, responsável por parcela significativa da oferta mundial de petróleo e gás.
A ameaça no Estreito de Ormuz
Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou que o Estreito de Ormuz estaria fechado e ameaçou incendiar embarcações que tentassem atravessar a rota. A declaração foi atribuída a Ebrahim Jabari, assessor do comandante da Guarda Revolucionária, e divulgada pela mídia estatal do país.
Segundo o comunicado, a medida seria uma retaliação à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. “Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, afirmou Jabari.
O Estreito de Ormuz conecta os principais produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estima-se que cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente transite pela passagem, o que torna qualquer ameaça de bloqueio um fator imediato de pressão sobre os preços.
Produção afetada e risco ao abastecimento
A escalada militar após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã ampliou a percepção de risco nos mercados. Países da região interromperam preventivamente parte da produção de petróleo e gás natural, elevando o nível de incerteza sobre o abastecimento global.
No domingo, primeiro dia após o agravamento do conflito, o petróleo já havia disparado cerca de 13%, superando US$ 82 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025.
Além do petróleo, o mercado de gás natural também foi impactado. O Catar suspendeu a produção após ataques a instalações energéticas, enquanto a Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria. Em Israel, campos de gás foram paralisados, e no Irã explosões atingiram áreas próximas ao principal terminal de exportação do país.
Pressão sobre a economia global
Analistas avaliam que um bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz teria potencial para interromper cerca de um quinto do fluxo global de petróleo, provocando nova rodada de alta nos preços da energia e ampliando pressões inflacionárias em diversas economias.
Embora ainda haja divergências sobre a efetiva interrupção da rota marítima, o simples risco de desabastecimento tem sido suficiente para impulsionar os contratos futuros e reacender a volatilidade nos mercados internacionais.
O cenário, segundo especialistas, dependerá dos próximos desdobramentos diplomáticos e militares na região. Até lá, o petróleo deve continuar sensível a qualquer sinal de escalada ou tentativa de contenção do conflito.
Fonte:ICL Noticias /