A animação brasileira “Ana, En Passant”, dirigida pela cineasta mineira Fernanda Salgado, conquistou o prêmio do público na mostra Vanguard da 45ª edição do Festival Internacional de Cinema de Vancouver (VIFF), no Canadá. O longa foi um dos dez filmes escolhidos pelos espectadores como favoritos nas diferentes categorias da programação, realizada entre 1º e 11 de outubro de 2026.
A produção é uma coprodução entre Brasil, Portugal e França e marca a estreia de Fernanda Salgado na direção de um longa-metragem de animação. O reconhecimento internacional destaca uma história centrada em duas mulheres negras, com temas como luto, identidade, memória familiar e ancestralidade.
“Ana, En Passant” mistura diferentes técnicas de animação para explorar identidade e pertencimento. A trama acompanha Ana, uma jovem negra franco-brasileira que vive em Paris e enfrenta a morte da avó, Alice, uma brasileira ligada a Belo Horizonte.
Após a perda, ela encontra uma caixa deixada pela avó, com uma carta, fotografias, objetos e um endereço na capital mineira. As pistas a levam ao Brasil, onde começa uma jornada para reconstruir a história da família e compreender melhor as próprias origens.
Em Belo Horizonte, Ana conhece outra mulher chamada Alice, que está morando no antigo apartamento de sua avó. A aproximação entre as duas ajuda a protagonista a revisitar lembranças, estabelecer conexões com o passado e refletir sobre sua identidade e o sentimento de pertencimento.
O longa combina animação 2D, rotoscopia, colagem e stop-motion, técnicas que criam diferentes texturas visuais e contribuem para a narrativa. A proposta estética acompanha as inquietações das personagens e a relação entre passado e presente. A trilha sonora é assinada pelo grupo Metá Metá, e o elenco de vozes inclui Jéssica Pierina, Zezé Motta e Carlos Francisco.
Natural de Belo Horizonte, Fernanda Salgado é cineasta, roteirista, produtora e pesquisadora, além de cofundadora do Apiário Estúdio Criativo. Atua no audiovisual desde 2005 e desenvolveu projetos que exploram narrativas poéticas, personagens singulares e processos experimentais. Também integrou o Berlinale Talents, programa de formação e desenvolvimento de profissionais do cinema ligado ao Festival de Berlim.
Antes de estrear em longas-metragens com “Ana, En Passant”, dirigiu os curtas “Marambé” (2011) e “Tormenta” (2014), este último premiado em festivais brasileiros. O roteiro do longa foi selecionado, em 2012, para o Script Station, iniciativa de desenvolvimento de projetos do Berlinale Talents. A produção também representa um marco para o cinema nacional, tendo sido o primeiro longa-metragem de animação dirigido por uma mulher afro-brasileira selecionado para a competição principal do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, segundo a Revista de Cinema.
Além do longa brasileiro, outros nove filmes receberam prêmios do público nas diferentes categorias do festival. Entre os destaques está “I Play Rocky”, de Peter Farrelly, vencedor na categoria Galas & Special Presentations. O filme retrata a trajetória de superação de Sylvester Stallone para conseguir protagonizar Rocky.
Em sua 45ª edição, o Festival Internacional de Cinema de Vancouver exibiu 162 longas-metragens e 91 curtas, representando 76 países. A premiação do público reconhece os filmes que mais conquistaram os espectadores ao longo da programação.
Fonte: Alô alô Bahia / Foto: Divulgação