Salvador e outras cidades baianas já serviram de cenário para produções cinematográficas de diferentes épocas, que registraram nas telas paisagens, construções históricas, manifestações culturais e aspectos do cotidiano local. Do Centro Histórico da capital às paisagens do interior, o estado acumula histórias que ganharam projeção nacional e ajudaram a apresentar diferentes retratos da Bahia ao público. No Dia do Cinema, celebrado nesta quinta-feira (5), trazemos alguns exemplos para você, leitor.
Um dos mais emblemáticos é “O Pagador de Promessas” (1962), dirigido por Anselmo Duarte. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o longa teve cenas gravadas em frente à Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, na Ladeira do Pelourinho. É ali que o protagonista Zé do Burro, interpretado por Leonardo Villar, enfrenta a resistência de um padre ao tentar cumprir uma promessa feita a Santa Bárbara. A escadaria da igreja se tornou um dos cenários mais conhecidos da história do cinema brasileiro.
As feiras de Água de Meninos e de São Joaquim também têm presença marcante na cinematografia baiana. A primeira aparece em produções como “A Grande Feira” (1961), de Roberto Pires, e “Sol Sobre a Lama” (1963), de Alex Viany, dois títulos importantes do Ciclo Baiano de Cinema. Décadas depois, a de São Joaquim apareceu em filmes como “Cidade Baixa” (2005), dirigido por Sérgio Machado, e “Quincas Berro D’Água” (2010), adaptação da obra de Jorge Amado.
Outro endereço bastante associado ao cinema é o Pelourinho, que ganhou destaque em “Ó Paí, Ó” (2007), de Monique Gardenberg. Estrelado por Lázaro Ramos, Wagner Moura e um elenco que reúne integrantes do Bando de Teatro Olodum, o filme acompanha histórias de moradores de um casarão no Centro Histórico, em meio à diversidade cultural e às dificuldades do cotidiano. Parte das gravações também aconteceu durante o Carnaval de Salvador, incorporando imagens da festa à narrativa.
A capital baiana aparece ainda em “Trampolim do Forte” (2013), de João Rodrigo Mattos. O longa acompanha dois garotos que vivem em Salvador e trabalham vendendo picolés para ajudar suas famílias. Entre os cenários da história está o Porto da Barra, onde os personagens encontram momentos de diversão em meio às dificuldades da infância.
A relação do audiovisual com a Bahia, no entanto, vai além de Salvador. A cidade de Cachoeira, no Recôncavo, também recebeu produções importantes, como a minissérie “Tenda dos Milagres”, exibida pela TV Globo em 1985 e baseada no romance de Jorge Amado. As gravações aconteceram em Salvador e Cachoeira, com uma cuidadosa reconstituição de cenários de diferentes períodos históricos.
Mais recentemente, o interior baiano voltou às telas com “Saudade Fez Morada Aqui Dentro” (2024), dirigido pelo cineasta soteropolitano Haroldo Borges. Filmado em Poço de Fora, distrito de Juazeiro, o longa acompanha Bruno, um adolescente de 15 anos que enfrenta a perda progressiva da visão. A produção utiliza o cotidiano e os costumes da comunidade como parte importante da narrativa.
Entre clássicos e produções contemporâneas, os filmes mostram como a Bahia ultrapassa a condição de pano de fundo e assume, muitas vezes, o papel de personagem. Suas ruas, praias, feiras, cidades históricas e paisagens do interior seguem inspirando cineastas e ajudando a contar histórias que preservam diferentes retratos do estado nas telas.
Fonte: Alô alô Bahia / Foto: Divulgação/Cinedistri