Agosto branco: alerta para conscientização e prevenção ao câncer de pulmão

Bahia Brasil Ciências saúde

Tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão, e abandonar o cigarro pode reduzir significativamente as chances de desenvolver a doença

Radio USP

Segunda, 31 de agosto de 2026

O câncer de pulmão pode começar com nódulos de pequenos milímetros em sua fase inicial. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 35.400 novos casos desse tipo de câncer entre 2026 e 2028. Dentro desse cenário, o agosto branco têm por objetivo alertar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce desse tipo de neoplasia.

Os exames de imagem evoluíram bastante e hoje representam uma importante ferramenta para o diagnóstico precoce. O diretor do corpo clínico do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e especialista em diagnóstico por imagem do tórax, Marcio Sawamura, detalha que esse tipo de câncer é o que mais mata, pois os diagnósticos acabam acontecendo de maneira tardia. O principal fator de risco para o câncer de pulmão é o tabagismo. De acordo com ele, os sintomas costumam aparecer quando o câncer já está avançado. Alguns dos sinais que requerem atenção são: tosse persistente com escarro e sangue, dor no peito, rouquidão e perda de peso. 

Exame de imagem

O médico explica que é recomendado fazer a tomografia de tórax em pacientes de alto risco. Ou seja, adultos entre 50 e 80 anos que fumam mais de uma caixa de cigarro por dia há mais de 20 anos.

Homem adulto, de cabelo curto e escuro, usando um terno azul e camisa social branca sem gravata. Ele olha para a câmera. O fundo é uma parede cinza.
Marcio Sawamura – Foto: Arquivo pessoal

“A tomografia de tórax é um exame muito simples, é muito parecido com raio X. A gente pode explicar assim de uma forma leiga como se fosse um raio X tridimensional, em que a gente consegue ver melhor as estruturas. No caso, o pulmão, a gente consegue ver com muito detalhe. A gente faz cortes muito finos de 1 mm, então consegue ver micronódulos, que são aqueles nódulos muito pequenos e a gente consegue fazer um diagnóstico precoce desses cânceres. Lembrando que nem todo nódulo de pulmão é igual a um câncer. Existem outros possíveis diagnósticos e, aí sim, podem ser necessários outros exames, tanto de imagem quanto até mesmo uma biópsia” , explica  Sawamura.

A tomografia computadorizada hoje consegue fazer exames com baixa dose de radiação, além da resolução da imagem ser bem melhor. “Com tudo isso, a gente consegue identificar nódulos muito pequenos no pulmão que podem ser até lesões pré-malignas, ou então tumores muito pequenos, em que aí a gente consegue fazer um tratamento muito adequado e curativo nesses pacientes.”

Tratamento para o câncer de pulmão

O tratamento do câncer de pulmão depende do estágio da doença e das características de cada paciente. Segundo o médico, o primeiro passo é o estadiamento, que avalia o tamanho do tumor e se houve comprometimento de outras estruturas ou órgãos. Em casos iniciais, a cirurgia pode ser indicada e ter caráter curativo. 

Já a quimioterapia pode ser utilizada antes ou depois do procedimento. Para casos mais avançados, também existem tratamentos novos como a imunoterapia e as terapias-alvo, que podem ajudar a controlar a doença e proporcionar boa evolução aos pacientes. Cada caso requer um tratamento individualizado.

Na prevenção do câncer de pulmão o principal alerta é para o tabagismo. O médico destaca que parar de fumar reduz os riscos e recomenda que pessoas que fumam há muito tempo procurem acompanhamento médico. 

Fonte: Jornal USP / O tratamento do câncer de pulmão depende do estágio da doença e das características de cada paciente – Ilustração: Cleber Siquette/Jornal da USP

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