Air France e Airbus são condenadas em Paris por queda de avião que saiu do Rio e deixou 228 mortos em 2009

Brasil

A Air France e a Airbus foram condenadas por homicídio culposo pelo acidente aéreo de 2009 que matou 228 pessoas a bordo de um voo entre o Rio de Janeiro e Paris, em uma decisão divulgada nesta quinta-feira na França (21/05).

O Tribunal de Apelações de Paris considerou a companhia aérea e a fabricante de aeronaves culpadas de homicídio culposo corporativo (em que não há intenção de matar) pela queda do avião no Oceano Atlântico.

Um outro tribunal francês havia absolvido as duas empresas em julgamento realizado em abril de 2023 — mas agora elas foram consideradas culpadas após este recurso.

O Airbus A330 desapareceu dos radares durante uma tempestade, e seus destroços foram encontrados após uma longa busca em uma área de 10 mil quilômetros quadrados do fundo do mar.

A caixa preta foi encontrada após meses de buscas em alto mar, em 2011.

Todos os 12 tripulantes e 216 passageiros a bordo morreram quando o avião caiu no mar de uma altura de 11.580 metros — tornando-se o acidente mais mortal da história da aviação francesa.

Parentes de alguns dos passageiros, principalmente franceses, brasileiros e alemães, reuniram-se na quarta-feira (20/05) para ouvir o veredito.

As empresas foram condenadas a pagar a multa máxima, de 225 mil euros (R$ 1,3 milhão) cada — mas algumas famílias das vítimas criticaram o valor, considerando-o uma penalidade meramente simbólica.

Durante as alegações finais do julgamento em novembro, os promotores afirmaram que o comportamento das empresas havia sido “inaceitável”, acusando-as de “proferir absurdos e inventar argumentos”.

Tanto a Airbus quanto a Air France negaram repetidamente as acusações, e analistas jurídicos acreditam que elas vão recorrer novamente.

A BBC entrou em contato com a Airbus e a Air France em busca de uma manifestação das empresas.

O acidente aéreo desencadeou uma complexa operação de resgate em uma área remota do Oceano Atlântico, a mais de 1.127 km da costa da América do Sul.

Durante as buscas iniciais, o governo francês ficou responsável pela investigação do acidente, enquanto as forças brasileiras assumiram a responsabilidade pela recuperação dos corpos.

Nos primeiros 26 dias de buscas, 51 corpos foram recuperados, muitos ainda presos aos cintos de segurança.

O pai de uma das vítimas disse à BBC News Brasil em 2019 que só conseguiu enterrar os restos mortais do filho mais de dois anos após o acidente. Seu filho, Nelson Marinho Filho, um engenheiro de 40 anos, quase perdeu o voo que partiu do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi o último a embarcar, segundo funcionários da Air France.

Fonte: BBC Brasil / Foto: Reuters

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