• Canetas emagrecedoras no SUS • Desafios globais para a imunização • E MAIS: hepatite B; reabilitação domiciliar; ondas de calor •
Municípios brasileiros, como Rio de Janeiro, Urupês (SP) e Sorocaba (SP), estão oferecendo medicamentos para obesidade (semaglutida e tirzepatida) na rede pública, antes da incorporação pelo SUS. A iniciativa, que reflete a expansão global desses fármacos, gera debate sobre acesso, custo e desigualdade no sistema de saúde pública.
A Conitec, órgão do Ministério da Saúde que avalia quais medicamentos, exames e procedimentos devem ou não ser oferecidos gratuitamente pelo SUS, recomendou não incorporar a semaglutida em 2025, devido ao alto impacto financeiro, estimado em até R$ 7 bilhões no período de cinco anos, e incertezas em relação ao tempo de uso. Contudo, estados e municípios têm autonomia para implementar políticas próprias utilizando seus recursos.
“Eu vejo isso mais como uma decisão eleitoral, porque o próprio Ministério da Saúde se organiza com a Fiocruz e a OMS para ter uma independência e produzir o insumo farmacêutico ativo aqui, porque o lucro dessas substâncias vai para o país de origem. Então, por que os municípios estão querendo passar na frente?”, questiona a farmacêutica Cristina Ruas, doutora em saúde pública pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em entrevista à Folha de S.Paulo.
Em vez de priorizar a via farmacológica, ela defende que o SUS deveria priorizar medidas como a educação alimentar, a sobretaxação de produtos ultraprocessados e a concessão de subsídios para baratear alimentos in natura.
Agenda de Imunização 2030 e os desafios de financiamento
Na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, que ocorreu em Genebra, Suíça, entre os dias 18 e 23 de maio, os Estados-membros reafirmaram o compromisso com a Agenda de Imunização 2030 (AI2030), redefinindo metas pós-pandemia da covid-19. O ressurgimento de doenças como febre amarela e sarampo traz à tona a importância da imunização, mas o financiamento humanitário estagnou desde 2020, ameaçando a cobertura vacinal.
Também foi ressaltada a necessidade de ampliar a capacidade regional de produção de vacinas e diversificar cadeias de suprimento para reduzir a dependência externa da maioria dos países.
O relatório apontou ainda para a estagnação e queda no financiamento de programas humanitários desde 2020. Um exemplo do impacto dessa redução é o fato de a Rede de Centros de Pesquisa em Doenças Infecciosas Emergentes (Creid), que conduzia pesquisas sobre vírus que emergem da vida selvagem e se transmitem para humanos, incluindo a família de vírus à qual o ebola, que está causando um surto na República Democrática do Congo, pertence. Em junho, o Creid teve que paralisar suas atividades em função dos cortes determinados pelo governo de Donald Trump.
• Novo remédio para hepatite B
Um novo medicamento experimental da GSK, o bepirovirsen, demonstrou potencial para tratamento da hepatite B, alcançando uma “cura funcional” (vírus indetectável e inativo) em 19% a 20% dos pacientes em estudos avançados. Uma melhora significativa em relação aos tratamentos atuais, que curam apenas cerca de 1% dos pacientes. Entenda
• Reabilitação domiciliar no SUS
O Ministério da Saúde habilitou as primeiras Equipes Multiprofissionais de Apoio à Reabilitação no Programa Melhor em Casa. A iniciativa visa levar reabilitação especializada ao ambiente domiciliar, ampliando o acesso e qualificando o acompanhamento de pacientes desospitalizados. Saiba mais
• Onda de calor letal na Índia
Uma intensa onda de calor no sul da Índia causou mais de 100 mortes em apenas três dias, com temperaturas atingindo até 48°C em algumas regiões e mantendo-se elevadas desde abril. As autoridades indianas alertaram a população a permanecer em ambientes fechados e anteciparam as férias escolares. Leia
Fonte: Outra Saúde / Imagem: reprodução