Crise global de insumos expõe dependência brasileira na produção de remédios

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Aumento no custo de produção e distribuição de medicamentos em meio a guerra entre EUA e Irã causa crise de abastecimento global. Expansão da produção local é crucial para que o Brasil não dependa de empresas farmacêuticas.

Por Glauco Faria

Ainda que os Estados Unidos e o Irã tenham assinado um acordo inicial para encerrar a guerra, incluindo um cessar-fogo imediato e permanente, os impactos do conflito no abastecimento global de medicamentos devem continuar, mesmo com a perspectiva de o tráfego pré-guerra ser restaurado no Estreito de Ormuz em um período de 30 dias.

Pesquisas estão sendo realizadas para aferir de que forma os choques na cadeia de suprimentos de insumos, como os petroquímicos usados ​no processo de fabricação e distribuição, afetaram os custos e a disponibilidade de medicamentos essenciais. Uma análise publicada pelo Think Global Health (TGH) aponta que dez medicamentos essenciais de uso comum sofreram com a volatilidade de preços.

O metotrexato, remédio derivado de benzeno e amônia com uso clínico no tratamento do câncer, apresentou o maior aumento da análise, chegando a 87%. Em março, uma empresa indiana produtora de metilamina, intermediário químico derivado da amônia para fabricar Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs), anunciou que uma de suas fábricas estava inoperante pela escassez de fornecedores de amônia.

Como o vice-presidente da Abrasco Reinaldo Guimarães já havia alertado, em nota para Outra Saúde também em março, as preocupações com o suprimento vão além da fabricação: o transporte dos produtos sofreu fortes impactos, já que os países do Golfo se tornaram recentemente o principal polo logístico das corporações farmacêuticas transnacionais. A combinação de restrições em importantes rotas marítimas e custos de redirecionamento associados, junto com o aumento dos prêmios de seguro e dos gastos com combustível, resultou em um salto de 86% nas taxas globais de frete de contêineres desde o início da guerra

Para o Brasil, o cenário reforça a necessidade de investir na produção local, já que o país importa cerca de 90% da matéria-prima necessária para fabricar vacinas e medicamentos. Em alguns casos, a dependência de IFAs chega a 95%. “A indústria farmacêutica global tenta se apresentar como parceira estratégica da saúde pública, mas seguimos subordinados à lógica da ‘boa vontade’ das empresas para transferir tecnologia, reduzir preços, garantir abastecimento e produzir medicamentos pouco lucrativos”, apontam Susana van der Ploeg e Carolinne Scopel, do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI) da Rede Brasileira pela Integração dos Povos, neste artigo.

Fonte: Outra Saúde


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