Curso internacional reúne estudantes de 24 países para discutir futuro da produção de alimentos

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Evento científico na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP reuniu alunos brasileiros e estrangeiros para discutir temas atuais relacionados aos Sistemas Tropicais de Produção de Base Biológica

Estudantes de diferentes partes do mundo se reuniram em Piracicaba para discutir um dos grandes desafios do futuro: como produzir alimentos de forma sustentável. Entre os dias 13 e 24 de julho, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP realizou a X International School, evento que promoveu o intercâmbio de conhecimentos sobre Sistemas Tropicais de Produção de Base Biológica e aproximou jovens pesquisadores de diferentes culturas, formações e experiências.

Durante as duas semanas de atividades, a programação integrou ensino, pesquisa e intercâmbio internacional, proporcionando aos participantes contato com aulas, palestras e visitas técnicas conduzidas por docentes e pesquisadores da Esalq, além de experiências em laboratórios, centros de pesquisa e áreas experimentais da Universidade. O evento também promoveu trabalhos em grupo, que resultaram na elaboração e apresentação de propostas de inovação voltadas à segurança alimentar e nutricional, desenvolvidas a partir dos conhecimentos compartilhados ao longo do curso e voltadas aos desafios da produção de alimentos e da sustentabilidade.

Uma das coordenadoras da X International School e chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Esalq, professora Aline César, explicou que o tema desta edição foi escolhido por abordar um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo sistema agroalimentar. Segundo ela, o projeto final desenvolvido pelos participantes busca propor soluções inovadoras para a segurança alimentar e nutricional, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para a professora, a diversidade de nacionalidades, formações acadêmicas e experiências dos participantes fortalecem o desenvolvimento de propostas mais abrangentes e inovadoras. “A interação entre estudantes de diferentes continentes, países, sistemas de ensino e culturas permite a construção de soluções e discussões muito mais robustas. O objetivo dessa atividade da International School vai muito além da sala de aula, podendo gerar ideias inovadoras para pesquisas, soluções para a sociedade e, quem sabe, até a criação de startups. Dessa forma, promovemos uma excelente oportunidade de reflexão e tomada de decisões voltadas à segurança alimentar e nutricional”, afirmou.

Curso teve como atividades aulas, palestras e visitas técnicas – Foto: Denise Guimarães / Esalq-USP

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Formação acadêmica e desenvolvimento profissional

Entre os participantes internacionais, Yufei He, da China Agricultural University, destacou que escolheu participar da International School para conhecer melhor a agricultura tropical e as pesquisas desenvolvidas no Brasil. Além do conteúdo acadêmico, ele ressaltou a oportunidade de conviver com estudantes de diferentes países. “Também é um momento para me comunicar com pessoas de diferentes contextos culturais, o que amplia minha visão de mundo.” Ela destacou a aula sobre automação na agricultura, seguida pela visita aos experimentos de campo. “Foi muito interessante entender como a automação é aplicada na agricultura brasileira e ver, na prática, como os experimentos são conduzidos”, afirmou.

O estudante Alejandro López Ochoa, da Universidad Nacional de Colombia, em Medellín, contou que a reputação internacional da Esalq foi um dos principais fatores que motivaram sua inscrição no programa.“Na Colômbia, a Esalq é considerada a melhor universidade para estudar Engenharia Agronômica. Nossa universidade tem uma parceria muito forte com a Esalq, e a diretora do nosso Departamento de Ciências Agrárias fez o doutorado aqui”, comentou. Alejandro também destacou que a convivência com estudantes de diferentes nacionalidades têm ampliado sua percepção sobre outras culturas e realidades. “Tem pessoas da Turquia, Alemanha, Inglaterra, França, Chile, Peru e China. Conhecer essa diversidade abriu completamente a minha mente. Cada país tem características muito diferentes, e essa troca de experiências tornou a International School uma oportunidade de aprendizado que vai muito além da sala de aula”,disse.

A estudante Nele Wurck, da Alemanha, que cursa Gestão Internacional de Ecossistemas Florestais, afirmou que escolheu a Esalq pela excelência acadêmica reconhecida internacionalmente e pela possibilidade de ampliar sua vivência intercultural. Ela contou que já estava no Brasil realizando um estágio antes de participar da International School e que a experiência tem superado suas expectativas. Segundo Nele, a receptividade encontrada na Universidade e o contato com estudantes de diferentes países têm sido um dos pontos mais marcantes da programação. “O Brasil é um país muito acolhedor e culturalmente muito rico. Percebi que, apesar das diferenças, as pessoas têm muito mais em comum do que imaginamos. Foi uma experiência muito positiva e enriquecedora”, afirmou.

Estudantes de vários países na Esalq – Foto: Denise Guimarães / Esalq-USP

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Representando os estudantes brasileiros, João Antônio Roscia, do terceiro ano de Engenharia Florestal da Esalq e bolsista do USP Recicla, onde desenvolve pesquisas sobre resíduos florestais urbanos, participou como aluno colaborador. Ele destacou que a experiência contribui tanto para sua formação acadêmica quanto para o desenvolvimento profissional. “Além de praticar o inglês, estamos o tempo todo conversando sobre agricultura, florestas e pesquisa. Também estamos mostrando um pouco da nossa cultura e conhecendo a cultura deles. Essa troca tem sido incrível e estou aprendendo muito”, comentou. Entre as atividades já realizadas, João destacou a visita ao Departamento de Entomologia como uma das experiências mais marcantes. Segundo ele, o laboratório também era novidade para muitos estudantes brasileiros, tornando a experiência ainda mais enriquecedora.

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Nas dez edições da Internacional School, já reuniram-se estudantes da África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Emirados Árabes, Estados Unidos, Finlândia, França, Itália, Japão, México, Noruega, Países Baixos, Peru, Portugal, Reino Unido e Turquia. Entre todos os países, o Brasil aparece com 99 participantes, sendo 95 alunos da Esalq e quatro de outras instituições de ensino superior brasileiras. Os países estrangeiros apontam 174 participantes, divididos entre 91 instituições de ensino superior estrangeiras.

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Texto adaptado de Anna Pizzo, assistente de Comunicação da Esalq, com revisão de Alicia Nascimento Aguiar

Fonte: Jornal da USP / Estudantes de vários países da X International School, na USP em Piracicaba – Foto: Denise Guimarães / Esalq-USP

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