Documentos indicam que Vorcaro sabia da prisão e se preparou para fugir

Bahia Brasil justiça

Documentos apontam uma série de vazamentos relacionados ao caso

11/09/2026

Por Raquel Lopes

(Folhapress) – Documentos da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria tido conhecimento antecipado de que seria alvo da operação que resultou em sua prisão. Ele foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Para os investigadores, uma sequência de mensagens, anotações e movimentações encontradas no celular do ex-banqueiro revela que informações sigilosas sobre a investigação chegaram até ele nas semanas anteriores à ação policial.

As informações constam de relatório da PF enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). A publicação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça a pedido de Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), em meio à grave crise institucional na Corte.

A reportagem procurou todos os envolvidos por WhatsApp às 8h40, mas ainda não obteve retorno.
Os registros mostram que o acesso de Vorcaro a informações reservadas se intensificou à medida que a operação se aproximava. Em 17 de outubro de 2025, houve uma reunião restrita entre integrantes da Polícia Federal e do Banco Central para tratar das apurações sigilosas envolvendo o Master.

Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro registrou no aplicativo de notas de seu celular os nomes completos de delegados e agentes da PF e de procuradores da República envolvidos no caso.

Em 30 de outubro, o banqueiro fez uma nova anotação, intitulada “De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados”. No texto, afirmava que as informações recebidas eram 100% confiáveis por terem partido de pessoas que participavam diretamente das discussões e ressaltava que não poderia ‘queimá-los’.

Segundo a PF, os indícios de acesso a informações protegidas avançaram também sobre o que ocorria no Poder Judiciário. Em 16 de novembro, dois dias antes do cumprimento dos mandados, Vorcaro salvou uma anotação na qual perguntava se um interlocutor tinha proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, titular da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, responsável pelas medidas cautelares sigilosas da investigação.

Na manhã seguinte, véspera da operação, a movimentação de Vorcaro se intensificou. Às 7h28 de 17 de novembro, ele recebeu mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde. A partir daquele momento, segundo os registros analisados pelos investigadores, o banqueiro alterou seu roteiro e passou a organizar uma viagem para fora do país.

Paralelamente, Vorcaro manteve contato com o jornalista Diego Escosteguy, apontado na investigação da PF como beneficiário de repasses financeiros do esquema. Pouco depois das 11h, o site O Bastidor publicou uma reportagem revelando a existência de um inquérito contra o Banco Master na 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

Escosteguy disse, em nota, que, ao contrário do que indica representação da PF, a relação com o empresário citado nos autos sempre foi estritamente profissional, no âmbito da atividade jornalística. Disse ainda que os valores recebidos referem-se a contratos de patrocínio e publicidade, prática regular no mercado de comunicação.

“Uma simples leitura da referida matéria demonstra que não se antecipou ou insinuou qualquer operação ou medida cautelar contra quem quer que seja. Não houve direcionamento de conteúdo por parte de terceiros, tampouco qualquer comprometimento da autonomia jornalística”, disse.

Vorcaro encaminhou a reportagem a Warde. O advogado, então, utilizou a publicação como fundamento para protocolar uma petição urgente em busca de acesso aos autos, que até aquele momento corriam sob sigilo. Em mensagens trocadas ao longo do dia, Warde afirmou a Vorcaro que estava infernizando o magistrado responsável pelo caso pelo WhatsApp.

Ao mesmo tempo, Vorcaro buscava construir uma justificativa formal para deixar o Brasil naquela noite. Segundo a investigação, ele acionou os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, apontados pela PF como cooptados pelo grupo, em uma conversa no WhatsApp. Os dois teriam atuado para viabilizar uma reunião virtual de emergência com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino.

A videoconferência foi realizada no início daquela tarde, sem gravação ou registro em ata. Nela, Vorcaro comunicou a suposta venda do Banco Master ao Grupo Fictor e afirmou que precisava viajar a Dubai naquela mesma noite para assinar contratos relacionados à operação.

Posteriormente, a defesa apresentou em habeas corpus uma declaração assinada por Paulo Sérgio sobre a reunião para sustentar que a viagem aos Emirados Árabes tinha finalidade empresarial e não representava uma tentativa de fuga.

A interpretação da Polícia Federal é diferente. Para os investigadores, a reunião foi articulada às pressas para produzir uma justificativa formal para a saída do banqueiro do país.

Documentos da Polícia Federal que também se tornaram públicos mostram que Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal.

A viagem, porém, não ocorreu. Na noite de 17 de novembro, agentes da Polícia Federal prenderam Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), quando ele se preparava para embarcar em um jato particular. No dia seguinte, 18 de novembro, a PF cumpriu os demais mandados da operação.

Fonte e foto: ICL Noticias /

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