Por Thiago Tolentino
Nem toda rivalidade no futebol precisa de décadas para nascer. Em Feira de Santana, a quarta rodada da Série B do Campeonato Baiano colocará frente a frente dois projetos em momentos opostos, mas que compartilham o mesmo objetivo: o protagonismo no município. Neste sábado (23), às 19h, na Arena Cajueiro, Feira FC e Fluminense de Feira se enfrentam pela primeira vez em um jogo oficial.
De um lado está o caçula Feira FC, fundado em 2026 com uma proposta que une desempenho esportivo, forte presença digital e marketing agressivo. Do outro, o tradicional Fluminense de Feira, bicampeão baiano, dono de uma das camisas mais pesadas do interior do estado e atual líder da competição, focado em sacramentar o retorno à elite do futebol baiano.
No gramado da Arena Cajueiro, as metáforas dão lugar à realidade da bola: uma disputa direta pelo topo da tabela e também pelo coração do torcedor feirense.
FEIRA FUTEBOL CLUBE
Criado pelo empresário Marcus Rios, o Feira FC iniciou sua trajetória profissional sacudindo o mercado. Conforme antecipação do Bahia Notícias, o clube anunciou o atacante Thiago Galhardo como o primeiro jogador de sua história e incorporou ao elenco o influenciador e freestyler Lucaneta, além do experiente goleiro Sidão. O projeto ganhou repercussão nacional pela ousada meta de longo prazo: alcançar a Série A do Campeonato Brasileiro em até dez anos.
Mesmo recém-criado, o clube entrou na Série B do Baianão buscando transformar visibilidade em competitividade. Para Neto Lima, embaixador do projeto, o início do projeto já coloca o Feira FC em um lugar de destaque no cenário estadual.
“Somos uma equipe jovem, com menos de três meses de vida, mas que conseguiu feitos que times quase centenários do interior da Bahia não conseguiram, como, por exemplo, lotar o estádio, estar entre os clubes mais acompanhados na rede social do país e montar um elenco altamente competitivo com nomes amplamente reconhecidos no cenário nacional”, afirmou, ao Bahia Notícias.
A estrutura do clube também aproveita um ecossistema conhecido na cidade. A equipe manda seus jogos na Arena Cajueiro, estrutura que pertence ao Bahia de Feira — rebaixado à Série B em 2026. Na gestão, Mayara Correia, ex-vice-presidente do Tremendão, assumiu o mesmo cargo no novo clube.

Foto: Enzo Produções / Feira FC
Apesar do pouco tempo de existência e da curta duração da Série B, Neto Lima destacou a capacidade de adaptação do clube no processo de construção da equipe.
“Obviamente, temos muito a aprender todo santo dia. Chegamos agora, e a competição é muito rápida, são apenas três meses, não há muita janela para erros. Mas temos uma equipe extracampo altamente gabaritada, que aprende rápido e dá conta do recado. Podem ter certeza que, a cada rodada, estamos mais prontos e maduros para garantir nosso acesso à Série A do Baianão”, disse.

Foto: Enzo Produções / Feira FC
Para o dirigente, o duelo deste sábado tem potencial para entrar na história do futebol feirense não apenas pelo ineditismo, mas também pela estrutura montada pelos dois clubes.
“A expectativa é de um grande jogo que ficará marcado para sempre na história do futebol da cidade. São duas equipes extremamente bem montadas, com gestão profissional, estrutura, tudo que um time precisa para alta performance. Então, podem aguardar um grande espetáculo, e não só dentro do gramado, mas também fora dele, pois teremos uma grande festa no pré-jogo e na entrada dos jogadores no campo”, concluiu.
Dentro de campo, o início foi de impacto, com vitórias por 3 a 0 sobre o Vitória da Conquista e o Camaçari. Na última rodada, porém, veio o primeiro revés: uma derrota diante do Barreiras. Com seis pontos em três jogos, o time ocupa a quarta colocação.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o técnico Edson Fabiano garantiu que o elenco assimilou o golpe e está pronto para o clássico.
Fonte: Bahia Notícias / Fotos: Instagram / @tgalhardo | Rafael Falcão