Juventude renova os ânimos do Controle Social na 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental Domingos Sávio

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A 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental Domingos Sávio (CNSM) se destacou como um marco para o avanço das políticas de saúde mental no país com a participação ativa de jovens delegadas (os) e convidadas (os) de todos os cantos do Brasil. Sob o tema “A política de Saúde Mental como Direito: pela defesa do cuidado em liberdade, rumo a avanços e garantia dos serviços de atenção psicossocial no SUS”, a conferência ocorreu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, entre 11 e 14 de dezembro.

Treze jovens adolescentes menores de 18 anos foram eleitos em duas conferências livres, etapas preparatórias ao evento nacional: 1ª Conferência Nacional Livre de Saúde Mental e Juventudes Ocupa SUS: A juventude quer viver, encabeçada pelo Ocupe SUS Juventudes; e na Conferência Livre Pode Falar! Conferência Nacional Livre de Saúde Mental das adolescências e das juventudes promovida pela Unicef, por meio da Rede Pode Falar. Além deles, outras pessoas jovens participaram como convidadas dos debates e das atividades autogestionadas.

Verônica Batista, 18 anos, residente da capital paulista, destacou-se ao ser eleita durante a Conferência Estadual de Saúde Mental de São Paulo para ser representante dos jovens usuários de Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) do estado, que frequentemente carecem de voz em espaços decisórios. A jovem conta que o processo dessa conquista foi desafiador, especialmente pela sua pouca idade, uma vez que as opiniões dos jovens, frequentemente, são desconsideradas pelas pessoas mais velhas.

“Saio daqui com o entendimento que é fundamental incluir a perspectiva daqueles que realmente utilizam esses serviços de CAPSi nas políticas públicas, e destaco a importância de abordar a saúde mental nas escolas, indo além da simples presença de psicólogos”, afirmou. O cerne da questão, segundo Verônica, reside no entendimento mútuo entre profissionais e alunos para evitar discriminações, estigmas e preconceitos. Veronica compartilhou uma experiência pessoal, revelando ter sido convidada a se retirar de três escolas nos últimos três anos devido ao mal entendimento do seu tratamento em saúde mental. Essa situação, segundo ela, evidencia a falta de conhecimento e compreensão por parte das instituições escolares, ressaltando a necessidade de um entendimento mais profundo em relação às questões de saúde mental.

Juventude 1

Gustavo Veloso, de 19 anos, delegado eleito para representar o Distrito Federal, contou que começou com um processo de participação em conferências regionais e na específica de saúde mental da população negra. Ele refletiu sobre como, até o ano anterior, desconhecia por completo o que era uma conferência. “Pude me apropriar desses conhecimentos e saber que a minha voz pode sim ser ouvida enquanto jovem negro LGBT, e que a gente pode estar aqui ocupando esses espaços e que a gente merece ser ouvido, merecemos estar nesse ambiente. E estar aqui para mim é uma vitória muito grande” finalizou.

Territórios da Construção de Si

Através de uma articulação da Unicef e da Rede Pode Falar, o Nusmad (Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas) da Fiocruz Brasília, levou o projeto “Territórios da Construção de Si”, que atende 103 adolescentes e jovens entre 14 e 18 anos que vivem em Unidades de Acolhimento do Distrito Federal, para a conferência. Cerca de 20 jovens participaram da atividade autogestionada Saúde Mental de Adolescências e Juventudes.

Um dos participantes do projeto compartilhou o crescimento pessoal nessa Conferência de Saúde Mental. O jovem conta que aprendeu a manusear câmeras durante o evento e evidenciou como cada oportunidade oferecida capacita, nutre e impulsiona o potencial criativo e educacional dos participantes, unindo habilidades essenciais que podem ser aplicadas de maneira impactante nos seus contextos sociais e de saúde mental.

Outro dos adolescentes atendidos pelo projeto compartilhou suas reflexões sobre sua evolução pessoal ao se envolver com a Fiocruz, reconhecendo a relevância de estar presente, e a importância de fazer parte do controle social. “Deveríamos ser delegados em mais conferências, espero que eu possa participar das próximas e ser eleito para representar mais adolescentes das casas de acolhimento. Enfrentamos resistência ao reivindicar nossos direitos e ser ativos nesses espaços”, concluiu Lucas, de 17 anos.

Dávila, também de 17 anos, compartilhou sua vitória ao ser eleita na delegação do Distrito Federal. Ela relembrou seu intenso processo desde as etapas iniciais, ressaltando os desafios enfrentados como muitas vezes a única jovem presente. “Às vezes era a única jovem lá, e os adultos me diziam que não éramos capazes, que não teríamos responsabilidade. Tentavam nos desencorajar, querendo que deixássemos a oportunidade para outros mais experientes. Mas decidimos não ceder, estamos aqui”, destacou.

Juventude 2

Lucas Basso, de 17 anos, viajou da Zona Leste de São Paulo até Brasília, e ressaltou a importância de criar políticas públicas voltadas para os jovens, “nossas experiências únicas moldam necessidades específicas. Precisamos de mais vozes jovens nesses espaços e encorajar outros a persistirem, assegurando que ninguém nunca mais nos silencie”, disse.

Suas presenças representam não apenas suas jornadas, mas também a inspiração para outros jovens e velhas caras do controle social do SUS. Envolver a juventude no processo decisório, é sublinhar a importância de perspectivas inovadoras na construção de políticas de saúde mental.

Fernanda Guedes – Comunicação Colaborativa 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental (CNSM)

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