Livro sobre História da Educação discute as diferentes formas de se tornar professor no Brasil

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Feito de modo colaborativo por pesquisadores de todo o país, livro digital busca auxiliar na formação dos futuros professores da educação básica

Por Mariana Marques – Sexta, 29 de julho de 2022

Em meio às dúvidas sobre como será a escola no pós-pandemia, uma publicação da Faculdade de Educação da USP apresenta a importância da história da educação na formação docente. No livro, autores e organizadores se posicionam como aqueles que defendem a educação formativa dos profissionais da educação básica, “diante dos interesses em torno da educação como mercadoria”. O e-book está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.  

“História da Educação: formação docente e a relação teoria-prática” foi organizado por pesquisadoras da Faculdade de Educação (FE) da USP e da Universidade Federal da Paraíba, e reúne artigos destinados a docentes em formação, já na ativa, docentes universitários – que formam os formadores – e pesquisadores da área. 

De acordo com as organizadoras, a formação teórica de professores estar desconectada da prática é uma discussão que se agravou na atualidade. “Para  nós,  historiadoras  e  historiadores  da  educação,  o  argumento  da  suposta dicotomia teoria-prática é bastante conhecido e tem servido de pretexto quando se trata de avaliar a qualidade do ensino e destinar recursos públicos à  formação  de  professores”, destaca a publicação. 

Para rebater este argumento, o livro compartilha o conceito de práxis e a experiência de  professoras e professores, do Ensino Superior à Educação Básica, e suas reflexões sobre a História da Educação. Os artigos também refletem sobre a docência e a relação teórico-prática na sala de aula em diversos eixos, como: gênero e raça, infância e juventude, educação de surdos, ensino na Amazônia, pesquisa na periferia e a visibilidade de intelectuais negros, entre outros. 

No lançamento da obra, durante uma cerimônia on-line no dia 22 de junho, Fabiana Garcia Munhoz, professora doutora em educação pela USP, comentou a respeito do capítulo que redigiu: “Contribuições da história da educação para problematizações sobre as questões de gênero, raça e classe no magistério na educação básica”. Nele, a pesquisadora aborda a importância da história da educação para entender o perfil e a realidade dos educadores hoje em dia. 

“Um estudo sobre o perfil docente no Brasil, com autoria de Maria Regina Viveiros Carvalho, demonstra que em 2017, 81% do magistério nas etapas iniciais da educação básica era composta por mulheres. Sendo que 42% dessas mulheres eram da cor/ raça branca, 25% eram pardas, 0,6% indígenas e 0,7% amarelas. A proposta foi justamente problematizar esse cenário destacando que ele foi e é construído historicamente. Portanto, ele não está dado. Para isso, eu retomei o início da escolarização feminina no Brasil, em 1827, com a Lei Geral. Lei que abriu a possibilidade de criação de Escolas Femininas de Primeiras Letras”, explica Fabiana, que também integra o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em História da Educação, da USP. 

Fechada às mulheres até 1870, a Escola Normal Paulista passa a ter um perfil docente majoritariamente feminino a partir de 1888. Magistério representava uma opção de trabalho para as mulheres no mundo letrado – Reprodução / Fabiana Munhoz

História da Educação: formação docente e a relação teoria-prática
Organização: Ariadne Lopes Ecar (USP) e Surya Aaronovich Pombo de Barros (UFPB).
Para fazer o download da obra, acesse: http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/757 

Fonte: Jornal USP

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