E se alguém comprasse suas dívidas? Essa é a ideia do governo federal, que lançou a terceira fase do Desenrola. Diferentemente das edições anteriores, o Tesouro Nacional vai comprar diretamente dos bancos as dívidas antigas e repassar o desconto às famílias.
A medida surge no momento em que o estoque de dívidas em atraso no país atinge um recorde. Para se ter ideia, no mês passado, havia R$ 592 bilhões em débitos inadimplentes registrados, atingindo quase 84 milhões de pessoas.
Como vai funcionar: Em vez de cada família negociar com o banco, o governo comprará carteiras de dívida diretamente das instituições financeiras, via leilão. Vence quem oferecer o maior desconto, com piso definido em 90%.
O programa mira dívidas de até R$ 10 mil, em atraso entre 2 e 4 anos, das categorias cartão de crédito e crédito pessoal sem consignação em folha — que somam cerca de R$ 300 bilhões. O governo ainda não detalhou se haverá corte de renda para participar.
A expectativa é que o governo desembolse R$ 15 bilhões para “limpar” R$ 150 bilhões em dívidas. Na prática, a União pagaria R$ 1 para cada R$ 10 em dívida adquirida.
Ainda assim, boa parte do problema nem é bancário. Cerca de 55% do estoque de dívidas vem de contas de água, luz e varejo — não de cartão ou empréstimo. Cada devedor tem, em média, 4 dívidas em aberto, com ticket médio de R$ 7 mil por pessoa.
A Fazenda projeta renegociar R$ 75 bilhões, beneficiando até 15 milhões de pessoas. O anúncio ocorreu a nove dias do primeiro turno das eleições e junto da proibição das bets, que o governo associa ao aumento do endividamento familiar.
Fonte: The News / (Imagem: Nelson Almeida/AFP | Reprodução)