Movimento enfraquece cartel em meio a tensões globais e abre espaço para protagonismo dos EUA no mercado de petróleo
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, aliança que inclui aliados como a Rússia, com efetividade a partir de 1º de maio de 2026. A decisão, justificada por uma revisão estratégica de sua política energética e interesses nacionais, ocorre em um contexto de volatilidade nos preços do petróleo, impulsionada pela guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, que bloqueou rotas como o Estreito de Ormuz.
Membro da Opep desde 1967, os EAU respondem por cerca de 3,7 milhões de barris por dia, ou 9% da produção global, e sua ruptura representa um golpe significativo para o cartel, agora reduzido a 11 membros. Isso enfraquece a coordenação de cotas e oferta, historicamente liderada pela Arábia Saudita, expondo divisões internas agravadas por disputas geopolíticas e pressões por maior produção.
A movimentação pode pressionar os preços para baixo no longo prazo, à medida que os EAU buscam expandir sua capacidade produtiva para além das cotas da Opep, priorizando participação de mercado. Especialistas alertam que, sem disciplina coletiva, a influência do bloco sobre os preços globais diminui, especialmente com o transporte de petróleo ainda restrito pelo conflito.
Nesse cenário, os Estados Unidos ganham terreno estratégico, fortalecidos por sua produção recorde de shale oil, que já os posiciona como maior produtor mundial. A desunião na Opep facilita o protagonismo americano no suprimento global, beneficiando sua economia em meio ao choque energético atual.
A saída dos EAU sinaliza um rearranjo no tabuleiro energético, com implicações para a estabilidade econômica mundial à medida que o cartel perde coesão.
Fonte: Money Report