A Polícia Federal do Estado da Bahia recebeu um pedido de investigação sobre suspeitas de irregularidades sanitárias na Biofábrica de Ilhéus, no Litoral Sul da Bahia. A solicitação, feita pelo deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT), surge após denúncias de mudas de cacaueiras contendo traços de infecção do vírus do mosaico.

Segundo um ofício da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), o caso já foi formalmente denunciado ao Ministério Público Federal desde o dia 12 de maio. A associação relata que a contaminação representa riscos às atividades econômicas da região. Em resposta, o MPF declarou que a investigação já está em andamento desde o momento da denúncia.
Ainda segundo o MPF, o relatório aponta que áreas contaminadas não teriam recebido manejo adequado e que a presença do vírus na Biofábrica já seria conhecida desde 2025. Ainda conforme o relato, produtores rurais e agricultores familiares continuariam recebendo mudas da instituição.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, a situação pode configurar crime ambiental previsto no artigo 61 da Lei de Crimes Ambientais, que trata da disseminação de doenças ou pragas capazes de causar danos à agricultura, fauna, flora e ecossistemas.
Autor do pedido, Félix Mendonça Júnior relembrou o fungo vassoura de bruxa e pediu mais urgência e visibilidade ao caso. “Não podemos permitir impunidade a quem penaliza novamente o produtor de cacau da Bahia. Já não basta a vassoura de bruxa. As nossas autoridades policiais precisam agir de forma célere e garantir que os culpados sejam presos”, afirmou.
A Biofábrica de Ilhéus é uma organização não governamental (ONG) que produz e vende mudas de cacau, sendo responsável pela produção contínua, em escala industrial, de mudas clonais de cacaueiros selecionados, resistentes a doenças e de alta produtividade, além de fruteiras e essências florestais. As mudas clonais são cópias genéticas exatas de uma planta matriz.
Fonte: BN / Foto: Divulgação/ Biofábrica-Ilhéus