Quando a sociedade civil debate qual SUS ela quer

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Por Glauco Faria e Gabriel Brito

A realização da 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde, no Rio de Janeiro, representa uma oportunidade singular para a sociedade se manifestar sobre o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Para Marisa Palacios, presidenta da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), o evento é crucial para definir “que saúde e que SUS a população brasileira quer”.

“Em primeiro lugar, a defesa do SUS é inegociável: nessas eleições, precisamos eleger pessoas comprometidas com sua proteção. Mas não basta defender a existência do SUS. Precisamos dizer em alto e bom som que país e que sistema de saúde queremos, e como avançar nesse sentido”, questiona Palacios, que também é médica e professora titular de Bioética da UFRJ.

O fortalecimento do controle social é o pilar da segunda edição da Conferência, que acontece nesta sexta-feira (28). Palacios enfatiza a necessidade de participação em todos os níveis: “Precisamos abrir espaço de participação em todos os estabelecimentos de saúde, escolas, empregos, sindicatos. A vida associativa é o caminho, começando na família, comunidade religiosa, de bairro, da favela, nas culturais, estudantis e de trabalhadores. É nesse convívio que aprendemos a solidariedade e o respeito às diferenças, mesmo na divergência.”

“Encontrar os caminhos comuns é parte fundamental do esforço para a manutenção da vida digna para todos. A participação nas decisões, seja no tratamento de saúde ou nas mudanças organizacionais e condições de trabalho, com respeito às diferenças e diálogo, é fundamental para construirmos uma sociedade mais justa e igualitária. Esse é o espírito das conferências e da nossa Frente pela Vida”, resume a presidenta da SBB.

Levantamento global cataloga 54 mil tipos de vírus

Um esforço conjunto de coleta de vírus em 102 cidades do mundo, entre elas São Paulo, conseguiu perfilar uma lista de 54.945 espécies de vírus. A amostragem está toda reunida no UPVAtlas (sigla em inglês para Atlas de Vírus de RNA Urbanos e Periurbanos) e acrescentou cerca de 40 mil novos vírus ao acervo até então constituído.

A coleta de amostras foi feita durante os primeiros meses de pandemia do coronavírus, através do MetaSUB, um consórcio de pesquisadores de microbiomas de áreas urbanas. Como destaca matéria da Pesquisa Fapesp, apenas uma pequena fração dos micro-organismos encontrados tem potencial de gerar doenças, o que mostra a dimensão da biodiversidade de vírus e bactérias.

Um dos principais achados é que ambientes naturais, com exceção de esgotos, são mais propícios a uma multiplicação de tipos de vírus, enquanto ambientes urbanos tendem a gerar uma uniformização. De forma complementar, um software chamado GeNomad foi utilizado para fazer o sequenciamento genômico dos micro-organismos e acrescentá-los aos já conhecidos.

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Fonte: Outra Saúde / Foto: LF Barcelos/CNS



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