Trama lança single inédito de Elis Regina com voz restaurada de 1976 e participação de Paulinho da Costa

cultura

A gravadora Trama lançou neste mês de maio de 2026 o single inédito “Corsário”, com voz original de Elis Regina gravada em 1976, participação do percussionista Paulinho da Costa e produção de João Marcello Bôscoli. A faixa, composta por João Bosco e Aldir Blanc, já está disponível nas plataformas digitais e integra um álbum em desenvolvimento dedicado à recuperação de registros inéditos da cantora. O projeto combina restauração de áudio, novos arranjos instrumentais gravados em São Paulo e videoclipe com imagens históricas de Elis Regina e registros das sessões realizadas em 2026.

Single “Corsário” recupera gravação inédita de Elis Regina

O lançamento de “Corsário” amplia o projeto iniciado pela Trama em 2024 com a faixa “Para Lennon & McCartney”, também construída a partir de registros inéditos de Elis Regina. A nova produção utiliza material captado durante uma única sessão realizada para um especial de televisão na década de 1970, agora finalizado quase cinco décadas depois.

A voz original de Elis foi gravada em 1976 com um microfone Shure SM-58, equipamento tradicionalmente utilizado em apresentações ao vivo. Por essa razão, o registro apresentava limitações técnicas próprias de uma captação não planejada originalmente para lançamento fonográfico contemporâneo.

O processo de restauração foi conduzido pelo engenheiro de som Ricardo Camera, responsável por tratar o material original, remover ruídos, reduzir interferências e corrigir vazamentos sonoros presentes na gravação. A etapa técnica foi essencial para permitir a integração da voz de Elis Regina a uma nova base instrumental.

Produção preserva referências sonoras da década de 1970

Após a recuperação da voz, a Trama produziu uma nova base instrumental nos Estúdios Trama NaCena, em São Paulo. Os músicos gravaram simultaneamente, seguindo um método próximo ao utilizado por Elis Regina em suas sessões de estúdio, ouvindo a voz original da cantora durante a execução das novas partes instrumentais.

Os arranjos foram escritos por Marcelo Maita, com o objetivo de preservar a identidade musical da intérprete e manter coerência estética com o período da gravação original. Para reforçar essa aproximação histórica, a produção utilizou apenas instrumentos e equipamentos fabricados até 1976.

Além de Marcelo Maita nos teclados, participaram da gravação Daniel de Paula, na bateria; Robinho Tavares, no baixo; e Conrado Goys, na guitarra. A base musical foi construída para dialogar com a interpretação original de Elis, evitando uma atualização excessiva que descaracterizasse o registro de época.

Paulinho da Costa participa de gravação com significado histórico e afetivo

A participação de Paulinho da Costa acrescenta uma dimensão simbólica ao lançamento. O percussionista brasileiro construiu carreira internacional ao lado de artistas e produtores ligados à música pop, ao jazz e à soul music, consolidando presença relevante em gravações de grande circulação mundial.

João Marcello Bôscoli afirmou que a presença de Paulinho no projeto tem significado pessoal. O produtor relembrou uma conversa com Elis Regina, ocorrida há cerca de cinco décadas, após observar o nome do percussionista na ficha técnica de um disco da banda Earth, Wind & Fire.

Segundo Bôscoli, ao perguntar à mãe quem era Paulinho da Costa, ouviu de Elis a resposta: “Ele é o melhor percussionista do mundo”. Para o produtor, a possibilidade de reunir a voz da cantora e a participação do músico em uma mesma faixa representa um marco em sua trajetória pessoal e profissional.

Depoimento de Paulinho da Costa reforça elo entre gerações

Paulinho da Costa também comentou a participação no projeto e afirmou que considerava improvável integrar uma gravação associada a Elis Regina. O músico relatou emoção ao saber, por meio de João Marcello Bôscoli, que a cantora conhecia seu trabalho ainda na década de 1970.

A presença do percussionista conecta diferentes momentos da música brasileira e internacional. De um lado, está a voz de Elis Regina, preservada em um registro raro de 1976; de outro, a contribuição contemporânea de um músico brasileiro cuja trajetória ultrapassou fronteiras e gêneros musicais.

Essa combinação confere ao single um caráter híbrido: ao mesmo tempo em que recupera um arquivo histórico, a faixa se apresenta como uma produção nova, estruturada com recursos técnicos atuais e execução instrumental registrada em 2026.

Videoclipe une arquivo histórico e gravações contemporâneas

O projeto audiovisual de “Corsário” acompanha a proposta de aproximar passado e presente. O videoclipe alterna imagens históricas de Elis Regina, provenientes do acervo de Roberto de Oliveira e da Bandeirantes, com cenas captadas durante as novas gravações realizadas em 2026.

A escolha reforça a narrativa central do lançamento: a recuperação de um material raro, preservando a memória artística de Elis, mas com tratamento técnico e visual adequado ao consumo contemporâneo em plataformas digitais.

A capa do single também utiliza um elemento documental. O material gráfico apresenta uma assinatura original de Elis Regina datada de 1976, ano em que a voz utilizada no projeto foi gravada. O recurso contribui para vincular visualmente a obra ao período histórico de origem do registro.

Álbum em desenvolvimento reunirá outros registros inéditos

O lançamento de “Corsário” integra uma série de produções da Trama voltadas à recuperação e finalização de gravações inéditas de Elis Regina. O álbum em desenvolvimento deve reunir outros registros realizados na mesma sessão que deu origem ao novo single.

A iniciativa se insere em uma tendência de revalorização de acervos musicais, especialmente quando há material de artistas de grande relevância cultural que permaneceu fora de circulação por décadas. No caso de Elis Regina, a recuperação de gravações inéditas tem peso adicional pela importância da cantora na história da música brasileira.

A condução do projeto por João Marcello Bôscoli, filho da artista, também acrescenta uma camada de curadoria familiar e preservação memorial. A produção busca equilibrar atualização técnica, respeito ao material original e continuidade da obra de uma das intérpretes mais influentes do país.

Quem foi Elis Regina

Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 17 de março de 1945, e morreu em São Paulo, em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos. Reconhecida como uma das maiores intérpretes da música brasileira, projetou-se nacionalmente na década de 1960 e consolidou uma trajetória marcada por intensidade vocal, precisão interpretativa e forte presença cênica.

Ao longo da carreira, Elis Regina tornou-se referência na MPB, transitando por repertórios de compositores como Tom Jobim, João Bosco, Aldir Blanc, Milton Nascimento, Belchior, Ivan Lins e Gilberto Gil. Sua discografia inclui obras centrais da música brasileira, entre elas o álbum “Elis & Tom”, gravado em 1974 com Tom Jobim, considerado um marco da canção nacional.

A artista também ficou conhecida por sua postura crítica e pela participação em momentos relevantes da cultura brasileira durante o regime militar. Mesmo após sua morte precoce, Elis Regina permaneceu como símbolo de excelência interpretativa, rigor artístico e permanência cultural, sendo constantemente revisitada por novas gerações de músicos, pesquisadores e ouvintes.

Quem é Paulinho da Costa

Paulo Roberto da Costa, conhecido artisticamente como Paulinho da Costa, é um percussionista brasileiro nascido no Rio de Janeiro, em 31 de maio de 1948. Reconhecido internacionalmente como um dos músicos de estúdio mais requisitados desde a década de 1970, ele construiu carreira nos Estados Unidos e tornou-se referência mundial pela versatilidade, domínio técnico e capacidade de transitar entre samba, jazz, pop, soul, R&B, rock e trilhas sonoras.

Formado musicalmente a partir da tradição brasileira da percussão, Paulinho começou ainda jovem no universo do samba e integrou a ala jovem da bateria da Portela, uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro. Na juventude, participou de grupos musicais brasileiros e viajou com formações artísticas pelo exterior, experiência que ampliou seu contato com diferentes linguagens rítmicas.

Nos anos 1970, mudou-se para os Estados Unidos, onde consolidou atuação nos estúdios de Los Angeles. A partir desse período, passou a gravar com alguns dos principais nomes da música internacional, incluindo Michael Jackson, Madonna, Earth, Wind & Fire, Quincy Jones, Dizzy Gillespie, Celine Dion, Diana Krall e outros artistas de grande projeção. Sua participação em álbuns, singles e trilhas o colocou entre os percussionistas brasileiros de maior presença na indústria fonográfica mundial.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão participações em discos e projetos associados a grandes sucessos da música pop e do cinema, como “Thriller”, de Michael Jackson, além de trilhas de filmes como “Dirty Dancing”“Purple Rain” e “Jurassic Park”. Também lançou álbuns próprios, como “Agora”“Happy People” e “Tudo Bem!”, nos quais explorou a fusão entre percussão brasileira, jazz, música latina e sonoridades internacionais.  A relevância de Paulinho da Costa está no fato de ter levado a percussão brasileira ao centro da produção musical internacional. Sua trajetória combina a base rítmica do samba, a disciplina dos músicos de estúdio e a sofisticação exigida por grandes gravações globais. No contexto do single “Corsário”, sua participação reforça a ponte simbólica entre a obra de Elis Regina, a música brasileira dos anos 1970 e a circulação internacional de artistas brasileiros na indústria fonográfica.

Principais pontos do lançamento

  • Single: “Corsário”
  • Intérprete: Elis Regina
  • Compositores: João Bosco e Aldir Blanc
  • Gravação original da voz: 1976
  • Participação especial: Paulinho da Costa
  • Produção: João Marcello Bôscoli
  • Restauração de áudio: Ricardo Camera
  • Arranjos: Marcelo Maita
  • Estúdio: Trama NaCena, em São Paulo
  • Projeto: álbum com registros inéditos de Elis Regina

Confira vídeo

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