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	<title>colunistas |</title>
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	<title>colunistas |</title>
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		<title>Um tiro no sol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:32:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alexandre Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Alexandre Gusmão “Disparo contra o sol / sou forte, sou por acaso / minha metralhadora cheia de mágoas / eu sou um cara”.Repare o tempo: o dono do relógio. Vive ele também parado. Um dia, por obra do destino, uniram-se num mesmo coro Cazuza, roqueiro anos oitenta, dono dos versos acima, e Justiniano, lavrador [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Alexandre Gusmão</p>



<p>“Disparo contra o sol / sou forte, sou por acaso / minha metralhadora cheia de mágoas / eu sou um cara”.<br>Repare o tempo: o dono do relógio. Vive ele também parado. Um dia, por obra do destino, uniram-se num mesmo coro Cazuza, roqueiro anos oitenta, dono dos versos acima, e Justiniano, lavrador do sertão de Ipirá, que viveu nos anos vinte do século passado.</p>



<p>“Extremamente nervoso, ossudo e muito alto” — assim o descreve Eugênio Gomes em O Mundo da Minha Infância. O escritor conta que, indignado pela escassez impiedosa das chuvas e já descrente de qualquer providência divina, Justiniano perdeu a compostura, armou sua espingarda pica-pau, e cheio de mágoas, deu um pipoco no sol. Um tiro no sol.<br>Justiniano, como Cazuza, também era um cara. E ganhou fama. Não por acaso, também foi chamado de louco. </p>



<p>Cruzasse a rua depois desse fato, beatas se benziam, meninos faziam arrelia.<br>Eivado de mágoas também, mas sem o conflito com o divino, cantam os versos de Incelênça pra terra que o sol matou, de Elomar:<br>“Levanto meus olhos, pela terra seca /<br>só vejo a tristeza, que desolação /<br>uma ossada branca fulorando o chão.”</p>



<p>A imagem revolta; a melodia apascenta. As incelências são cantos antigos de guarda e vigília. A estrofe seguinte é um dedo em riste apontando para o sol:<br>“Inté os olhos d’água chorou que secou /<br>e o sol dessas mágoa /<br>queimou os imbuzero, os bode e os carnêro, toda a criação /<br>isso o sol queimou.”<br>sobre o carcará e a sussarana &#8211; dois predadores da caatinga, o cantador acusa:<br>“isso o sol poupou.”<br>Justo não é, diria Justiniano.</p>



<p>O escritor que recolheu essas histórias em cacos da própria memória teve parte de sua formação na histórica cidade de Cachoeira, recôncavo baiano. Em Memórias, descreve as inesquecíveis manhãs ao atravessar a ponte nova para o colégio, debaixo de bruma. O nevoeiro acima. O Paraguaçu embaixo.</p>



<p>Nos cacos da minha memória: as férias, a mesma ponte, minha família, uma Variant azul e o som do atrito de ferro e madeira.</p>



<p>Era o ano de 1985. Um século antes, a Ponte Dom Pedro II, importada da Inglaterra, fora entregue à cidade. Pertencia, também ela, ao tempo de Justiniano.<br>De Cachoeira brotaram, ambos poetas, Damário da Cruz e João de Moraes Filho.</p>



<p>O primeiro escreveu: “De mim exijam pouco… pois o tempo que me resta é louca busca de atravessar o sol.”<br>E ainda:<br>“quanto mais eu sonho com Cachoeira /<br>mais amanheço em Nova York.”</p>



<p>Eugênio Gomes anota que, andando por NY, onde morou, e vendo os arranha-céus, vinha-lhe à cabeça um sobrado com telhado de três águas, imponente na humilde praça de sua cidade natal, nos anos de 1900. Ali onde quase nada havia e qualquer coisa se tornava imensa.</p>



<p>Em Fortaleza, numa manhã de janeiro de 1942, depois de três dias seguidos de chuva grossa, o astro-rei resolveu aparecer. Bastou. Sem aviso, sem combinação, a Praça do Ferreira se encheu de gente.</p>



<p>Todos contra o sol: um coro de vaias e assobios. Não houve tiro, mas xingamentos e gritos.<br>João de Moraes, quase um século depois do tiro de Justiniano, compõe os versos:<br>“O sol bate mais forte<br>na cara do homem que capina a esperança<br>por um prato de comida<br>quieta, menino, não dispare contra o sol,<br>ele esfria de cansaço.”</p>



<p>A ciência diz que o sol se apagará um dia. O danado, antes do fim, vai se expandir e contrair, só para contrariar. Coisa vai ser, Justiniano, quando o segundo sol chegar.</p>



<p>Alexandre Gusmão é arte educador,<br>professor de arte e biólogo.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/um-tiro-no-sol/">Um tiro no sol</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Café com Notas de Caramelo </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 22:15:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[cafe]]></category>
		<category><![CDATA[caramelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Terça,21 de abril de 2026 “me ame” &#8211; era o que ela dizia. “amo você da cabeça aos pés, não vou desistir” &#8211; uma voz intensa ressaltava no fundo.&#160; a persistência dessa ideia poderia até gerar a cura de um trauma.&#160; quase parece que eu pronunciei exatamente essas palavras pra você. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Terça,21 de abril de 2026</p>



<p>“me ame” &#8211; era o que ela dizia.</p>



<p>“amo você da cabeça aos pés, não vou desistir” &#8211; uma voz intensa ressaltava no fundo.&nbsp;</p>



<p>a persistência dessa ideia poderia até gerar a cura de um trauma.&nbsp;</p>



<p>quase parece que eu pronunciei exatamente essas palavras pra você. mas não tive saciedade de te contar sobre o meu amor. não ainda.&nbsp;</p>



<p>preciso sentir você até a última instância.</p>



<p>pelo menos uma vez por semana, nossas brincadeirinhas atiçam as risadas, o seu estresse e a minha felicidade genuína. quando você quer me tirar de cima de você é o momento em que mais eu quero subir.&nbsp;</p>



<p>me adentrar, ficar em cima, nas suas costas, me encaracolar, enlaçar todos os meus átomos em você.&nbsp;</p>



<p>enfiar minhas unhas em tua pele, amassar tua barba, demorar dentro da tua boca.</p>



<p>continuar e&#8230;&nbsp;</p>



<p>você sabe, eu não sei mentir sobre meus sentimentos. me envolvo em teu cheiro e deixo você me conduzir sempre para o que você quer.&nbsp;</p>



<p>o que desejar, é sempre você que escolhe, mesmo se for para dormir e eu velar o teu sono, ouvir tua respiração, inventar maneiras de continuar ouvindo teu coração bater em meu ouvido, bem pertinho, instintivamente&#8230;</p>



<p>ah, você…</p>



<p>um café recém-passado, com notas suaves de caramelo que se revelam aos poucos.</p>



<p>sabor, beleza e aroma.</p>



<p>sinto na forma como me olha,</p>



<p>como se cada detalhe meu fosse tudo aos seus olhos,</p>



<p>como se houvesse ali um cuidado natural,</p>



<p>inevitável.</p>



<p>uma transparência que não se esconde atrás de gesto algum.</p>



<p>tudo é dito, mesmo quando não há palavra.</p>



<p>tudo aparece, mesmo no silêncio.</p>



<p>me intriga a facilidade com que me alcança,</p>



<p>como se já soubesse o caminho,</p>



<p>como se já tivesse estado aqui antes.</p>



<p>quando se aproxima e o ambiente muda de temperatura.&nbsp;</p>



<p>eu mudo de temperatura.&nbsp;</p>



<p>o ar parece mais rarefeito, mais presente, respirável, exalando seu cheiro natural.</p>



<p>o instante ganha corpo.</p>



<p>suas mãos encontram as minhas.&nbsp;</p>



<p>suas mãos são brutas, indelicadas.</p>



<p>deslizam cuidadosamente pelos meus ombros, reconhece a pele.&nbsp;</p>



<p>um território geograficamente conhecido.</p>



<p>param ali por um segundo a mais, dizendo algo que ainda não se pode pronunciar.</p>



<p>sabe qual é a parte mais perigosa desse seu jeito de conquistar?</p>



<p>quando me toca o rosto.</p>



<p>me envolve.</p>



<p>os dedos desenham um contorno silencioso,</p>



<p>sobem devagar,</p>



<p>e, por um instante,</p>



<p>o mundo se reduz àquilo.</p>



<p>o toque.</p>



<p>a respiração próxima.</p>



<p>o tempo suspenso.</p>



<p>ele desce com esse mesmo cuidado, a mesma precisão, cada movimento intencionado, como se cada detalhe fosse escolhido milimetricamente e sentido inversamente ao mesmo tempo.</p>



<p>o seu amor se sustenta no olhar. o seu amor é agridoce. o seu amor é a forma mais bonita de perceber a vida e de vive-la também.</p>



<p>deixo que ele me alcance,</p>



<p>me percorra,</p>



<p>me leia.</p>



<p>afinal, ele merece isso.</p>



<p>como quem segura uma xícara entre as mãos</p>



<p>e sabe, antes mesmo de provar,</p>



<p>que aquilo vai marcar.</p>



<p>ele chegou como um sabor que eu não sabia nomear,</p>



<p>há nele a densidade de um café recém-passado,</p>



<p>na medida exata,</p>



<p>com notas suaves que se revelam devagar,</p>



<p>um caramelo quente,</p>



<p>um toque que permanece na língua.</p>



<p>como quem entende o peso exato do toque, no percurso lento que ele faz sem nunca se apressar em chegar.</p>



<p>o meu café esfria inexoravelmente, aproveito o aroma que ele traz, o toque quente que sinto queimar meus dedos e boca ligeiramente.&nbsp;</p>



<p>deixo que ele me alcance sem interromper o percurso.</p>



<p>há um tempo próprio nisso tudo, como o da água que atravessa os grãos de café moído, nem rápida demais a ponto de rasgar o sabor, nem lenta ao ponto de estagnar.</p>



<p>como quem sabe que tudo o que importa já está ali.&nbsp;</p>



<p>me percorrendo assim, em camadas.</p>



<p>os dedos sentem a borda da xícara,</p>



<p>a boca guarda o traço do primeiro gole, em pequenas camadas, ecos discretos, lembranças sensoriais…&nbsp;</p>



<p>primeiro, o impacto.</p>



<p>quente, direto, quase amargo, início este que acorda a boca</p>



<p>e exige atenção.</p>



<p>depois, o corpo.&nbsp;</p>



<p>denso, envolvente, preenche o paladar, se instala na língua, no céu da boca, cria algo que não se dispersa fácil.</p>



<p>depois, o fundo.</p>



<p>adocicado pelo caramelo aquecido no ponto certo, não muito doce, apenas um ponto diante do amargo sabor de café, um doce que vem da torra, da transformação, do que foi queimado o suficiente para ganhar a profundidade de sabor.</p>



<p>o gosto que permanece quando o gole já passou, o rastro insiste na memória que não se apaga.&nbsp;</p>



<p>exige pausa entre um gole e outro, não permite distração.&nbsp;</p>



<p>viciante. saboroso. encorpado.</p>



<p>porque cada gole de você me revela uma outra coisa. um detalhe mais seco, uma nota mais densa, uma variação mínima que só aparece pra quem consegue te ler.</p>



<p>a intensidade está na forma como segura o calor sem queimar, de manter o sabor sem pesar, sem repetições.</p>



<p>e é assim, também, que me envolve. aos poucos.</p>



<p>ocupando, aquecendo, aprofundando.</p>



<p>e mais uma vez, eu posso dizer: “um café com notas de caramelo, por favor.”&nbsp;</p>



<p>e te sentir cada vez mais perto, ansiosa pela tua volta, em qualquer momento desses meus derradeiros dias da semana.</p>



<p>Foto: Angela Monize</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/cafe-com-notas-de-caramelo/">Café com Notas de Caramelo </a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Confrontar-se-á</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Confronto]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Terça, 14 de abril de 2026 é difícil falar sobre perspectivas sem citar a coragem. ela está em pequenas decisões, quase invisíveis, como se o corpo soubesse antes da mente que é preciso continuar. é preciso ter coragem. já tive coragem muitas vezes…de avançar mesmo sem saber o que encontraria.de sustentar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Terça, 14 de abril de 2026</p>



<p>é difícil falar sobre perspectivas sem citar a coragem. ela está em pequenas decisões, quase invisíveis, como se o corpo soubesse antes da mente que é preciso continuar. é preciso ter coragem.</p>



<p>já tive coragem muitas vezes…<br>de avançar mesmo sem saber o que encontraria.<br>de sustentar a esperança quando ela parecia longe demais de minhas mãos.<br>coragem de fazer um check-in, de abrir um livro, de encarar um diagnóstico, de aplicar insulina à mão firme.</p>



<p>coragem em cada gesto que nos mantém vivos.<br>até respirar, às vezes, exige isso. uma escolha que fazemos enquanto ansiosos.</p>



<p>outro dia, no ônibus, vi uma moça. estava em uma janela, com o corpo levemente inclinado, como se protegesse o que segurava. uma carta. o papel já não era totalmente branco, havia marcas. talvez do tempo, talvez dos dedos que o tocaram antes. a tinta parecia densa, irregular em alguns pontos, aquele cheiro de papel e tinta de caneta, como se tivesse sido escrita com pressa ou com emoção demais para caber em linhas retas.</p>



<p>ela sorria.</p>



<p>daqueles sorrisos que se guarda no canto da boca, quase secreto. os olhos percorriam o papel com cuidado, como quem revisita algo que ainda pulsa. havia ali uma delicadeza tão sútil, não pedia testemunha, mas eu vi.</p>



<p>e pensando a respeito, existe coragem nisso também…<br>se permitir sentir,<br>guardar,<br>permitir que algo nos aconteça na surpresa de um segredo bem guardado, sem defesas.</p>



<p>a coragem de um amor nos leva a lugares inesquecíveis…</p>



<p>eu gosto de observar o mar e suas ondas. o encaro como quem encara algo maior do que pode compreender. as ondas se levantam diante de mim com uma força quase desproporcional. mais altas do que eu, mais largas do que qualquer cálculo simples. existe um movimento bruto nelas, uma violência rara que só algumas coisas na nossa vida tem ou podem existir.</p>



<p>e ainda assim, são belas.</p>



<p>uma beleza avassaladora…</p>



<p>há quem diga que certas praias não são feitas para entrar. que o mar leva tudo para o seu devido lugar. e talvez leve. mas naquele momento, eu não pensei em absolutamente nada. somente na ideia do que aquilo causava em mim.</p>



<p>o som das ondas era ensurdecedor, mas um silêncio interno me sustentava por alguns instantes. os pensamentos mais torpes recuaram. as ideias repetitivas, as inquietações que costumam me ocupar, simplesmente não encontraram espaço.</p>



<p>fiquei.</p>



<p>olhando.</p>



<p>sentindo o vento atravessar o rosto, o sal no ar, a pele reagindo à umidade, o chão levemente instável sob os pés. nenhuma explicação era tão óbvia quanto sentir tudo aquilo.</p>



<p>uma grandeza sem excessões.</p>



<p>me entrelaçar naquele som, naquela repetição que nunca é igual, naquela força que não se interrompe.</p>



<p>e foi ali que entendi que coragem não é um ato isolado. é um estado que se constrói dentro de si.</p>



<p>ela aparece quando a gente decide não recuar diante do que não entende. quando se sustenta o olhar, quando não se desvia, é quando conseguimos permanecer mesmo sem garantia de conforto.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/04/image-64-1024x683.png" alt="" class="wp-image-174217" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/04/image-64-1024x683.png 1024w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/04/image-64-300x200.png 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/04/image-64-768x512.png 768w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/04/image-64.png 1536w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>a coragem é um ato de confronto. confrontar-se e ir. confrontar-se mesmo temendo. confrontar-se e reconhecer-se</p>



<p>conhecer o desconhecido, não exigir respostas.</p>



<p>é viver o que não tem forma ainda, no que não oferece segurança, no que não se deixa prever. é aceitar que há partes da vida que não serão organizadas antes de serem vividas.</p>



<p>e ainda assim, ir.</p>



<p>porque a coragem não elimina o medo. o medo a acompanha.</p>



<p>ela existe ao lado do tremor, da dúvida, da incerteza, e mesmo assim, sustenta o passo.</p>



<p>é um sintoma vivo. circula na gente como algo que precisa ser usado para não desaparecer. quanto mais se pratica, mais ela encontra espaço. quanto mais se evita, mais ela se recolhe.</p>



<p>essa disposição quase íntima de continuar abrindo portas que não sabemos onde dão, de ler cartas que ainda doem um pouco, de olhar o mar mesmo quando ele parece grande demais e perceber que alguma coisa faz sentido.</p>



<p>porque, no fundo, a vida não se revela para quem observa de longe.<br>ela se manifesta para quem se deixa levar pela coragem de existir.</p>



<p>Foto: Angela Monize</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/confrontar-se-a/">Confrontar-se-á</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Cartografia da Perda (III)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 00:58:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Angela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[cartografia]]></category>
		<category><![CDATA[perda]]></category>
		<category><![CDATA[Sinais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Segunda, 6 de abril de 2026 o luto não avisa quando vem. passa pela beira dos dias, nos detalhes mais distraídos, como quem testa o espaço. talvez dê sinais, pequenos sinais, quase imperceptíveis. mas nunca certezas. perder é uma palavra demasiadamente curta para abarcar todos os significados. os conjuntos que criamos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Segunda, 6 de abril de 2026</p>



<p>o luto não avisa quando vem.</p>



<p>passa pela beira dos dias, nos detalhes mais distraídos, como quem testa o espaço. talvez dê sinais, pequenos sinais, quase imperceptíveis. mas nunca certezas.</p>



<p>perder é uma palavra demasiadamente curta para abarcar todos os significados. os conjuntos que criamos dentro de nós mesmos a cada sugestão do que se pode vir a perder.</p>



<p>perder pessoas, coisas, ou momentos… perder versões inteiras de si.</p>



<p>hoje eu acordei e me veio a sensação de que não gostaria de ter acordado.&nbsp;</p>



<p>o corpo ainda preso em um cansaço que não é só físico, como se tivesse passado a noite inteira tentando reorganizar a vida, os sonhos, as miragens. demorei a dormir. virei de um lado pro outro, contando pensamentos em vez de carneirinhos. e quando finalmente dormi, não tardou a amanhecer.&nbsp;</p>



<p>hoje, em específico, houve uma recusa em mim.</p>



<p>não quero falar.</p>



<p>não quero sustentar conversas, nem encarar rostos que esperam de mim alguma coisa.</p>



<p>fico melhor assim, observando.</p>



<p>as árvores se movem na estrada. o verde parece mais denso, bonito, visível; acalma as minhas pálpebras cansadas. eu observo o filamento, o solo, a pista…</p>



<p>o ar carrega um cheiro estranho, meio metálico, meio gasto. lembra carro velho aquecido pelo sol, aquele calor abafado que fica preso no estofado. mas sobre a minha pele há outro mundo.</p>



<p>meu perfume tem uma intensidade quase hipnótica, um aroma doce que se abre devagar, com jasmim denso e um fundo ambarado. um adocicado quase como se estivesse envolto em alguma coisa mais profunda, mais terrosa, mais viva. grudando na respiração, se mistura ao corpo como açúcar queimado, desses que deixam um rastro no fundo da língua.</p>



<p>depois vem algo mais seco, firme como madeira aquecida, me lembra a terra que já conheceu a chuva e agora guarda o cheiro dela em silêncio. e por fim, o corpo de jasmim exala a cada respiração.</p>



<p>e é curioso como, mesmo nesse estado, eu escolhi algo assim.</p>



<p>como se, no meio do cansaço, ainda houvesse em mim uma vontade de existir.</p>



<p>hoje eu tive um pesadelo.</p>



<p>uma menininha gritava, desesperada, com um pincel nas mãos e tinta preta escorrendo pelos dedos. ela tentava me pintar, cobrir minha pele com aquilo, como se quisesse me transformar em algo que eu não conseguia reconhecer. eu gritava também, pedindo pra que ela parasse, tentando afastar aquele gesto bruto.</p>



<p>mas havia algo ali que me impedia de reagir com dureza.</p>



<p>ela tremia.</p>



<p>ela não sabia o que estava fazendo, mas fazia com uma urgência quase fatal, como se aquilo fosse a única forma de se expressar.</p>



<p>e mesmo enquanto eu era atingida, eu sabia que ela precisava de ajuda.</p>



<p>talvez seja isso que sempre me atravessa. essa forma de olhar o outro mesmo quando me dói, mesmo quando fere. uma empatia que não se desliga, um respeito pelas dores que não são minhas, mas que eu reconheço como se fossem.</p>



<p>e ainda assim, eu sigo.</p>



<p>nunca fui alguém sem esperança.</p>



<p>há sempre alguma coisa em mim que insiste, mesmo quando tudo ao redor parece querer a perda.</p>



<p>a ansiedade me visita com frequência, me atravessa em ondas que às vezes tiram o ar, mas existem instantes, pequenos e frágeis, em que eu consigo ficar no agora.</p>



<p>sentir o chão.</p>



<p>respirar sem antecipar o próximo desastre.</p>



<p>deixar o que pesa um pouco mais ao fundo, fazer, nesse sentido, uma escolha momentânea de não se afogar.</p>



<p>hoje, enquanto escrevo, penso em alguém que faz parte da minha vida. alguém que já me fez sorrir e chorar.</p>



<p>ela amplia os momentos com suavidade, mas é firme na mesma proporção. carrega uma alegria que não depende de circunstância alguma.</p>



<p>de qualquer maneira, sinto falta de sua companhia…</p>



<p>me pego pensando no que ainda não vivi.</p>



<p>nas histórias que ainda não comecei, nos lugares que ainda não pisei, nas versões de mim que ainda não conheço.</p>



<p>há um impulso em mim que não se satisfaz com o que já foi.</p>



<p>uma vontade de arriscar,</p>



<p>de atravessar o que parece incerto,</p>



<p>de ir justamente onde o sinal não fecha, onde o fluxo não se interrompe, onde o risco existe como possibilidade viva.</p>



<p>porque é ali que a vida se mostra.</p>



<p>e o luto…</p>



<p>permanece como uma camada de mim.</p>



<p>como algo que existe junto, em segundo plano.</p>



<p>há perdas que não acontecem de uma vez.</p>



<p>há pessoas que se desfazem de nós enquanto ainda estamos com os corpos encaracolados, há vínculos que se rompem em silêncio, e há versões que deixam de existir somente pela rotina gasta.</p>



<p>e é engraçado pensar que quando isso acontece, emergem as memórias esquecidas, os sentimentos não resolvidos,</p>



<p>pensamentos que estavam soterrados.</p>



<p>tudo ganha forma.</p>



<p>e, às vezes, dói de um jeito quase físico. ou até físico de fato.</p>



<p>há quem tente reconstruir o que já não existe, refazer a pessoa dentro da própria cabeça, reorganizar o passado como se isso fosse possível.</p>



<p>mas o que é…</p>



<p>é.</p>



<p>e ninguém sente isso por você.</p>



<p>há uma honestidade dura nesse lugar,</p>



<p>uma solidão que não é vazia, mas cheia de tudo aquilo que não foi dito, não foi feito, não foi vivido.</p>



<p>e mesmo assim, continuar é a única coisa que tenho.</p>



<p>subo mais um lance de escadas,&nbsp;</p>



<p>tateando os degraus,</p>



<p>observo tudo ao meu redor,</p>



<p>respirando,</p>



<p>aceitando o ritmo.</p>



<p>percebendo o que depende ou não de mim.</p>



<p>porque, no fundo, eu conto com o tempo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ELEIÇÕES BRASILEIRA 2026" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/DOOb1GDs5sY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/cartografia-da-perda-iii/">Cartografia da Perda (III)</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Matéria Viva (II)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 14:46:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Matéria Viva (II)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Matéria Viva (II) sabe aquele momento em que o ambiente parece o mesmo, mas algo nele respira diferente?aquele mesmo instante em que se acorda e respira.a minha senhora não pede passagem,ela se insinua nos intervalos mais distraídos de mim.no instante em que o corpo repousae a mente acredita, por um segundo,que está sozinha. acordar em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Matéria Viva (II)</p>



<p>sabe aquele momento em que o ambiente parece o mesmo, mas algo nele respira diferente?<br>aquele mesmo instante em que se acorda e respira.<br>a minha senhora não pede passagem,<br>ela se insinua nos intervalos mais distraídos de mim.<br>no instante em que o corpo repousa<br>e a mente acredita, por um segundo,<br>que está sozinha.</p>



<p>acordar em meio ao caos de pensamentos…</p>



<p>hoje acordei e chovia. os elementos gráficos eram outros. eu estava prestes a abrir a minha boca quando fui interrompida por esse caos.<br>um ruído contínuo, quase litúrgico, da água contra o mundo, como se o exterior estivesse sendo lentamente dissolvido.<br>as linhas do quarto pareciam menos rígidas, mais líquidas, como se tudo estivesse à beira de se desfazer e reconfigurar diante dos meus olhos ainda turvos.</p>



<p>me lembrei do sonho. me lembrei de todos os caminhos percorridos por ele e por alguns segundos me assustei com a sensação de estar ali ou não.<br>talvez eu até tenha realmente ficado ali por mais segundos, minutos ou horas. no enquanto, a minha senhora me reveste com essa trepidez rouca onde estar sozinha já esta fora de cogitação.<br>ela vem à mim como uma intimidade que não se explica, apenas se impõe, como um eco antigo que reencontra o próprio corpo.<br>às vezes a chamamos de alma,<br>outras vezes a nomeamos de qualquer coisa que nos permita suportá-la.</p>



<p>há noites em que o quarto respira diferente.<br>o ar se adensa,<br>as sombras se alongam como se quisessem me tocar,<br>e o silêncio deixa de ser ausência<br>para se tornar matéria espessa, quase tátil, insinuando-se nos cantos e nas frestas do meu pensar.</p>



<p>eu me viro,<br>quase sem querer,<br>quase como se já soubesse o que fazer.</p>



<p>diante de mim a escuridão do quarto se desola querendo ao menos o meu abajur aceso.<br>meu corpo responde antes de qualquer pensamento.<br>há uma obediência involuntária nos meus gestos, como se algo em mim já tivesse aprendido esse ritual.</p>



<p>os livros não finalizados na minha estante me observam adormecer<br>com uma vigilância silenciosa, austera.<br>suas lombadas imóveis parecem guardar não apenas histórias,<br>mas fragmentos de mim que ficaram presos entre páginas nunca concluídas.<br>há algo neles que pulsa, discreto, como se cada palavra não lida acumulasse uma presença.</p>



<p>há um peso suave sobre o meu peito, esses territórios inconstantes de algum lugar de mim se comunicam dentro de cada narração que faço.<br>um peso que não oprime, mas insiste.<br>como uma mão que repousa com familiaridade excessiva, como se soubesse exatamente onde tocar para permanecer.</p>



<p>a cada fenômeno poético criado<br>enlaçado em todas as linhas que se conectam à mim.<br>há um fio invisível que costura tudo,<br>uma arquitetura subterrânea que sustenta cada imagem antes mesmo que eu a compreenda.</p>



<p>e eu compreendo, ainda que sem palavras,<br>que existem territórios onde somente a minha senhora caminha,<br>lugares em mim que não se abrem à luz,<br>florescem nesse denso escuro, quente e vivo,<br>onde o silêncio não é vazio, ele germina em mim.</p>



<p>quando ela se aproxima,<br>desliza pela pele como memória antiga,<br>como se cada centímetro já tivesse sido visitado,<br>como se cada gesto fosse repetição de algo<br>que começou muito antes de mim.<br>há uma precisão perturbadora em sua presença,<br>como se ela nunca errasse o caminho de volta.</p>



<p>há algo profundamente íntimo<br>em ser atravessada por aquilo que nos entende sem precisar explicar.</p>



<p>e talvez seja isso que mais assusta. não há invasão,<br>mas o reconhecimento.</p>



<p>porque nela não há pressa,<br>não há ruptura, apenas uma permanência.</p>



<p>lá fora, a chuva continua,<br>espessa, insistente, quase devocional,<br>como se lavasse o mundo enquanto, aqui dentro,<br>algo em mim fosse cuidadosamente preservado.</p>



<p>ou cultivado.</p>



<p>e, por um instante,<br>entre o som da água e o peso que respira sobre o meu peito,</p>



<p>eu já não sei dizer<br>se ela me habita</p>



<p>ou se sou eu<br>que, lentamente,<br>aprendo a habitá-la.</p>



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		<title>Zé Ronaldo,ACM Neto: entre o teatro , a vontade e o cálculo político</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2026 02:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[ACM Neto]]></category>
		<category><![CDATA[cenaro politco]]></category>
		<category><![CDATA[eleicoes 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Jeronimo Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Politica]]></category>
		<category><![CDATA[Waldeck Alves]]></category>
		<category><![CDATA[ze coca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Waldeck Alves – jornalista &#8211; Sábado, 28 de março de 2026 Foi formalizada a chapa da base oposicionista para as eleições de 2026 ao governo da Bahia. A escolha de Zé Cocá representa um acerto político e estratégico, tanto pela força de sua liderança regional quanto pela tentativa de ampliar a densidade eleitoral de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Waldeck Alves – jornalista &#8211; Sábado, 28 de março de 2026</p>



<p>Foi formalizada a chapa da base oposicionista para as eleições de 2026 ao governo da Bahia. A escolha de Zé Cocá representa um acerto político e estratégico, tanto pela força de sua liderança regional quanto pela tentativa de ampliar a densidade eleitoral de ACM Neto no interior.</p>



<p>Em 2022, observou-se uma disparidade expressiva: nos municípios menores, a média de votação foi amplamente favorável a Jerônimo Rodrigues , chegando a cerca de 65% , enquanto o desempenho de Neto se concentrou mais nos grandes centros. Nesse contexto, Cocá surge como peça importante. No entanto, é preciso contextualizar : ele já estava com Neto em 2022 e, no pós-eleitoral, chegou a acusá-lo publicamente de ingratidão e de não valorizar aliados.</p>



<p>Esse desgaste se aprofundou ao longo dos anos e levou o prefeito de Jequié a uma aproximação com Jerônimo. Durante as negociações, seu apoio à base governista chegou a ser condicionado a cerca de R$ 500 milhões em investimentos para sua região. Para o governo, tratava-se de um custo elevado e direcionado , especialmente considerando que Jerônimo venceu em Jequié, com 51% dos votos, e em todas as 16 cidades do Médio Rio de Contas, mesmo sem o apoio de Cocá em 2022.</p>



<p>A permanência de Cocá no grupo de Neto, mediante a promessa de investimentos semelhantes caso a oposição vença, não pode ser vista propriamente como ganho político. Trata-se, antes, de uma articulação defensiva para não perder palanque no interior , uma soma “dos nossos”, e não “dos outros”.</p>



<p>Outra figura central nesse tabuleiro é Zé Ronaldo. Ninguém questiona seu capital político nem sua força em palanque, especialmente em Feira de Santana. O problema reside nos desdobramentos ambíguos de sua relação com ACM Neto, que, longe de se pacificar, parece tensionar-se ainda mais com o tempo.</p>



<p>As cicatrizes de 2022 seguem abertas. Ainda que os ressentimentos apareçam apenas nas entrelinhas, há um evidente distanciamento emocional e político. Durante certo período, Zé Ronaldo ensaiou uma aproximação com Jerônimo, materializada em agendas conjuntas, investimentos em Feira e uma relação institucional mais visível. Subjacente a isso, porém, havia também um movimento de acerto de contas , uma resposta calculada às humilhações públicas sofridas por ACM Neto em 2022&nbsp;</p>



<p>O lado positivo para Jerónimo nessa aproximação&nbsp; “ institucional “ com Zé Ronaldo foram&nbsp; investimentos estaduais no município&nbsp; que ajudaram a impulsionar o capital político do governador em Feira de Santana. Pesquisas recentes indicam um cenário para as eleições&nbsp; de 2026 próximo de um empate técnico e&nbsp; hoje figura entre as cidades&nbsp; com melhor avaliação do governo estadual, segundo pesquisas.&nbsp;</p>



<p>Os episódios recentes evidenciam que a ferida está longe de cicatrizar . Veja : No dia do anúncio da chapa, com a confirmação de Cocá como vice, ACM Neto divulgou um encontro em Feira de Santana. No dia seguinte, Zé Ronaldo afirmou, em entrevista, que não havia sido informado previamente nem sobre a reunião da chapa nem sobre o encontro em sua própria base eleitoral.</p>



<p>É difícil imaginar que uma liderança do seu porte, ainda mais cortejada pelo grupo governista, fosse simplesmente ignorada sem consequências. Na política, ninguém se expõe publicamente sem cálculo. A reação de Zé Ronaldo foi um recado.</p>



<p>Diante da repercussão, ACM Neto precisou intervir: telefonou, pediu desculpas e mobilizou aliados para conter o desgaste. Zé Ronaldo, por sua vez, adotou um movimento ambíguo , aceitou o gesto, mas emitiu a mensagem no seu Instagram com card somente com sua foto como convite para o encontro , que&nbsp; soou como sinalização de força: “aqui, quem manda sou eu”.</p>



<p>A recusa em compor a chapa como vice de Neto&nbsp; passa diretamente por esse acúmulo de ressentimentos, pela desconfiança e pela recusa em assumir compromissos políticos plenos com Neto.&nbsp;</p>



<p>Engajamento, articulação e mobilização não se decretam , dependem de confiança. E confiança, uma vez rompida, cobra seu preço.</p>



<p>Nesse cenário, o eventual “cruzar de braços” durante a campanha , ainda que disfarçado no discurso ,&nbsp; pode ser, na verdade, cálculo político. Com bom trânsito no governo estadual e beneficiado por investimentos em Feira, Zé Ronaldo mantém uma porta aberta para um eventual novo mandato de Jerônimo, sem romper formalmente com seu grupo.</p>



<p>Se Neto perder, Zé Ronaldo assiste à sua possível inviabilização eleitoral para 2030. Se vencer, ele próprio sabe que continuará fora do radar prioritário do ex-prefeito de Salvador.&nbsp;</p>



<p>Afinal, dentro do grupo oposicionista, Zé Ronaldo é talvez o único nome com densidade para protagonizar um projeto futuro , e isso, em política, também gera contenção.</p>



<p>As cicatrizes do resultado de 2022 em Feira de Santana foi um alerta de uma relação conturbada . ACM Neto venceu Jerônimo por pouco mais de 8 mil votos, num universo de cerca de 371 mil votantes , uma margem estreita para um reduto historicamente dominado pelo grupo.</p>



<p>Ficou a sensação de que “o jogo” foi, no mínimo, conduzido com inércia. O apoio liderado por Zé Ronaldo não teve a intensidade esperada.&nbsp;</p>



<p>Ao que tudo indica, Zé Ronaldo não quitou as contas políticas de 2022 à vista. Está pagando em parcelas , com juros, tempo e cálculo.</p>



<p>Imagem: IA/Chat GPT</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="TORCIDA FEMININA DO VILA SHOW E EXPECTATIVAS PARA O GRANDE CLÁSSICO" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/UxVjKYFLqTY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/ze-ronaldoacm-neto-entre-o-teatro-a-vontade-e-o-calculo-politico/">Zé Ronaldo,ACM Neto: entre o teatro , a vontade e o cálculo político</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Intimidade voraz (I)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 12:55:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Angela Monize &#8211; Terça, 24 de março de 2026 a minha senhora não escreve ao quadro,ela escreve a minha vida.aparece nos intervalos. no tempo entre um pensamento e outro, no silêncio depois de uma frase mal terminada, no gesto automático de quem ainda acha que está no controle.há dias em que percebo, já sei [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Angela Monize &#8211; Terça, 24 de março de 2026</p>



<p>a minha senhora não escreve ao quadro,<br>ela escreve a minha vida.<br>aparece nos intervalos. no tempo entre um pensamento e outro, no silêncio depois de uma frase mal terminada, no gesto automático de quem ainda acha que está no controle.<br>há dias em que percebo, já sei como ela se move. sob entrelinhas se mostra facilmente.<br>reconheço o ritmo, a forma como ela ocupa os cantos, como se soubesse exatamente onde ficar sem precisar ser convidada.<br>às vezes ela me observa perigosamente. como quem mede o tempo sem relógio, como quem entende algo que eu ainda não alcancei.<br>e eu continuo a confiar…<br>até por que não há exatamente escolha nesse tipo de companhia.</p>



<p>a minha senhora tem momentos suspensos,<br>fica à beira de si mesma, como se estivesse sempre prestes a atravessar alguma coisa.<br>a minha senhora me atravessa devagar,<br>sem violência,<br>com uma permanência que não pede explicação.<br>e eu ?<br>me lanço para fora, eu mudo de lugar dentro de mim, finjo me esconder de quem mais me observa…</p>



<p>a minha senhora tem momentos suspensos, olha para o nada como se ali existisse alguma resposta que só ela escuta.<br>ela me atravessa devagar, como quem experimenta a própria permanência dentro de um outro corpo.<br>ela me toma sem pressa, e nesse gesto eu me reorganizo sem perceber.</p>



<p>quando ela se ajeita pra dormir,<br>o lençol vira uma extensão do que não se diz.<br>não se pode adormecer o inconsciente. não existe desejo ao se completar uma fábula tão torpe ao se esconder da própria imagem.<br>suas mãos alisam o tecido como quem acalma alguma coisa arcaica.<br>e eu me deixo ser colocada, como se houvesse um lugar exato onde eu devesse estar. aquilo já decidido antes mesmo de mim.<br>há um eco distante que insiste em me acordar do estado em que a minha senhora me deixa.<br>mas eu entendo que há estados em que ela precisa permanecer,<br>há territórios onde só ela sabe existir.</p>



<p>dentro do estábulo,<br>a madeira range baixo, a terra sustenta um silêncio antigo,<br>e tudo ali parece aceitar o peso do que não se nomeia.<br>ela descansa perto do que é bruto, do que não se enfeita, do que apenas é.<br>depois, percorre o meu jardim.<br>as formigas desenham caminhos sob a minha pele que é envolvida com delicadeza pelo campo.<br>e o ar perpassa, sorrateiro, infiltrando em cada detalhe, nos pequenos movimentos, no que passa despercebido até se tornar impossível de se ignorar.</p>



<p>todos aqui temos “uma senhora”.<br>e quando ela retorna a superfície de nós, traz a noite como uma dobra do tempo.<br>adentra no inverno como um calor que não resolve,<br>que não aquece o suficiente pra se tornar conforto,<br>mas também não vai embora.<br>fica.<br>e é nesse ficar que algo começa a se entender.<br>porque quando ela se cansa, ela dorme outra vez, e o mundo continua como se nada tivesse mudado.<br>mas mudou. sempre muda um pouco…</p>



<p>a minha senhora não escreve ao quadro. ela escreve a minha vida.<br>e eu começo a perceber que não se trata de ir embora, nem de ser levada de uma vez.<br>é mais lento que isso.<br>mais preciso.<br>ela me ensina nos detalhes, nos intervalos, naquilo que cede sem fazer barulho.<br>e, sem perceber exatamente quando começou, eu já não tento escapar.<br>eu observo.<br>acompanho.<br>aprendo o ritmo,<br>a forma como tudo se desfaz sem alarde.<br>e há algo quase íntimo nisso tudo.<br>como se, no fundo, o que ela faz não fosse me tirar do mundo,<br>mas me ensinar, pouco a pouco,<br>a amar a vida<br>e a caber no fim.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/intimidade-voraz-i/">Intimidade voraz (I)</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Meu cadarço All Star</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 12:06:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[all star]]></category>
		<category><![CDATA[Angela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bicicleta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Angela Monize &#8211; Terça, 17 de março de 2026 amanhã eu quero ir à biblioteca com a minha bicicleta velha de rodinhas brancas. amanhã, quero que seja tudo tranquilo, bem melhor do que o esperado e com vivências construtivas. amanhã eu preciso pensar no que estou fazendo hoje e relembrar os devaneios do meu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Angela Monize &#8211; Terça, 17 de março de 2026</p>



<p>amanhã eu quero ir à biblioteca com a minha bicicleta velha de rodinhas brancas. amanhã, quero que seja tudo tranquilo, bem melhor do que o esperado e com vivências construtivas. amanhã eu preciso pensar no que estou fazendo hoje e relembrar os devaneios do meu traço no papel.</p>



<p>e por pensar que, ao invés de escrever a minha rotina, estou aqui aos pés do meu presente, num desespero enorme pelo futuro e medo da angústia.</p>



<p>talvez, quem sabe, mais tarde, eu passe um pouco de café, jurando amanhã repensar meus atos com total coesão e responsabilidade. afinal, o que é a universidade…?</p>



<p>um lugar de respostas? ou apenas um lugar onde aprendemos a formular perguntas cada vez mais perigosas?</p>



<p>interrogando você e eu de cabeça para baixo eu saberia que nós dois somos fracos sozinhos. e o fracasso leva à queda.</p>



<p>mas há algo estranho na queda: às vezes ela tem a delicadeza de um convite.</p>



<p>se, ao tocarmos nossas mãos, se ao menos houvesse a primeira conversa, a primeira intenção, saberíamos que nós dois somos intensos demais, firmes demais, nos queremos demais.</p>



<p>e que se houvesse um esforço para te trazer para cima, você e eu saberíamos que somos diferentes. não no sentido de ser melhor ou pior, não no sentido de ser mais do que aquilo que a nossa humanidade grita para ser, mas no sentido raro de sermos, juntos, ideias inteiras. caminhos traçados. correntes fortes correndo sob a mesma pele, no mesmo mundo.</p>



<p>no meu cadarço existem um bilhão de histórias. cada nó guarda um tropeço antigo. cada laço uma tentativa de permanecer de pé quando a vida empurra para o lado errado da estrada.</p>



<p>na minha bicicleta existe amor.</p>



<p>amor no metal gasto, no barulho da corrente que insiste em rodar, na maneira como as rodas continuam girando mesmo quando ninguém acredita muito no caminho. amor em todas as vertentes, amor em algo tão singular como equilibrar.</p>



<p>mas eu não quero só isso. não quero me limitar ao óbvio.</p>



<p>há em mim uma vontade que não cabe em bibliotecas, nem em cafés mornos, nem nos planos disciplinados de quem tenta domesticar o próprio destino.</p>



<p>sempre tenho desejos e loucuras a realizar. sanidades a cumprir. sonhos desesperados, figurar-se em mim&#8230;</p>



<p>há dias em que dá vontade de jogar o corpo no mundo, lançar todas as perguntas ao vento. me desenhar nas margens daquilo que ainda não sou. me desdenhar das versões antigas de mim mesma.</p>



<p>e desaparecer por um instante.</p>



<p>sumir como um bom sopro de uma brisa pálida. como a chuva densa de uma noite fresca que cai sem pedir licença e muda silenciosamente a respiração da terra.</p>



<p>ninguém fala sobre o momento exato em que decidimos confiar. talvez seja nesse tipo de manhã&#8230; essa vontade de pedalar até às 4. ir à biblioteca. sentir o cheiro das histórias&#8230;</p>



<p>é quando o mundo ainda está meio eterno, meio indeciso&#8230; e nós também.</p>



<p>então talvez amanhã eu realmente vá à biblioteca.</p>



<p>talvez eu apenas pedale sem destino, com o vento atravessando o rosto e o pensamento aberto como estrada.</p>



<p>talvez eu saia de casa esperando encontrar o meu amor. prende-lo em meu cadarço.&nbsp;</p>



<p>eternizar você&#8230;</p>



<p>deixar a rua me levar,&nbsp;</p>



<p>te encontrar na curva de uma esquina, no silêncio entre dois pensamentos, no instante em que a roda da bicicleta gira e o mundo gira junto.</p>



<p>talvez eu até descubra que certas histórias não estão nos livros da biblioteca, mas escondidas no ar da manhã, no metal gasto da bicicleta, na coragem silenciosa de continuar.</p>



<p>e, no fim, pode ser que eu entenda que não era sobre chegar a lugar nenhum.</p>



<p>era sobre pedalar dentro da própria história.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/meu-cadarco-all-star/">Meu cadarço All Star</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>À distância do céu </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 21:24:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[News]]></category>
		<category><![CDATA[caminho]]></category>
		<category><![CDATA[ceus]]></category>
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		<category><![CDATA[existencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Angela Monize &#8211; Terça, 10 de março de 2026 acordar de manhã para ver o sol levantando-se pela estrada. a luz ainda indecisa tocando o chão como quem testa a própria existência. as cores de uma vida, que acredito ser minha, espalhadas nas margens do caminho. não há para onde correr do amor. ele [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Angela Monize &#8211; Terça, 10 de março de 2026</p>



<p>acordar de manhã para ver o sol levantando-se pela estrada. a luz ainda indecisa tocando o chão como quem testa a própria existência.</p>



<p>as cores de uma vida, que acredito ser minha, espalhadas nas margens do caminho.</p>



<p>não há para onde correr do amor.</p>



<p>ele chega antes do pensamento,</p>



<p>antes da escolha,</p>



<p>antes de qualquer tentativa.</p>



<p>ele me encontra no gesto simples de respirar. é o abrigo que cresce por dentro, como raiz silenciosa sob a terra úmida.</p>



<p>almejo a folha que cai. o instante em que tudo toca o solo e ainda assim permanece suspenso por uma fração invisível de tempo.</p>



<p>terra forte.</p>



<p>solução.</p>



<p>o sol aberto no céu, descansando sob chapéu de palha.&nbsp;</p>



<p>o vento atravessa o rosto com a delicadeza de quem conhece a pele.</p>



<p>cara branda.</p>



<p>mansa.</p>



<p>feito mulher que balança, na balança de um mundo clichê. e ainda assim encontra o próprio ritmo entre o peso e o ar.</p>



<p>há uma praia vazia dentro de mim. um horizonte comprido. cheio de histórias esperando a coragem do primeiro passo.</p>



<p>a areia guarda passos que ainda não dei.</p>



<p>e como isso termina?</p>



<p>uma poeta como eu não saberia explicar.</p>



<p>é como ter suas asas abrindo devagar no silêncio do próprio corpo.</p>



<p>é uma vontade de voar.</p>



<p>voar sem medir a distância do céu.</p>



<p>há dias em que o mundo inteiro parece caber na palma de minhas mãos.</p>



<p>e então caminho.</p>



<p>com o sol atravessando os ombros, com a pele morna de manhã recém-nascida, com essa certeza tranquila de quem aprendeu a gostar da vida como ela é.</p>



<p>e a estrada continuará brilhando diante de mim, a sina de um caminho que conhece o próprio destino.&nbsp;</p>



<p>sem pressa de chegar. o mundo respira largo.</p>



<p>há espaço para o passo solitário e também para o encontro.</p>



<p>como dois ritmos que aprendem o mesmo compasso.</p>



<p>um a um.</p>



<p>coração leve.</p>



<p>horizonte aberto.</p>



<p>reflito:</p>



<p>quem sabe caminhar sozinho</p>



<p>não impede</p>



<p>que outro passo</p>



<p>um dia</p>



<p>se alinhe ao meu.</p>



<p>Ângela Monize &#8211; Fenômenos Poéticos</p>



<p></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/a-distancia-do-ceu/">À distância do céu </a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Floresta nenhuma cresce dentro de um aquário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 14:37:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[News]]></category>
		<category><![CDATA[Angela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Colunista]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Angela Monise &#8211; Segunda, 2 de março de 2026 rasguei o silêncio da manhã antes mesmo de abrir os olhos. um instante quase eterno entre a consciência e a falta dela.&#160; o corpo lançado contra o próprio peso. o ar, com certeza, rarefeito, abrupto, abrindo meus pulmões, se expandindo em uma violência silenciosa, como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Angela Monise &#8211; Segunda, 2 de março de 2026</p>



<p>rasguei o silêncio da manhã antes mesmo de abrir os olhos. um instante quase eterno entre a consciência e a falta dela.&nbsp;</p>



<p>o corpo lançado contra o próprio peso.</p>



<p>o ar, com certeza, rarefeito, abrupto, abrindo meus pulmões, se expandindo em uma violência silenciosa, como se reaprendessem o gesto mais primitivo da existência.</p>



<p>eu observava a terra. sentia aquela espessura compacta sob meus pés descalços, a textura irregular que não cedia completamente, mas também não me rejeitava, uma resistência úmida e viva que subia pelas plantas dos pés como se houvesse ali uma memória mais antiga do que qualquer pensamento, algo bruto, anterior ao nome, anterior à história, anterior até mesmo à dor. uma matéria silenciosa sustentando meu peso sem perguntar quem eu havia sido ou o que eu tinha perdido.</p>



<p>fiquei ali por um tempo impossível de medir, sentindo o contato áspero contra a pele, sentindo o limite exato entre aquilo que era meu e aquilo que continuava sendo mundo.</p>



<p>me levantei.</p>



<p>as pernas sustentaram o movimento com uma firmeza inesperada. o sangue percorreu seu trajeto completo, alcançando minhas extremidades.</p>



<p>ao redor, vi a floresta respirar.</p>



<p>as árvores se erguiam em sua própria soberania, indiferentes à minha história, indiferentes à minha intempérie. seus troncos carregavam cicatrizes antigas, abertas e fechadas sob o mesmo tecido vivo.</p>



<p>o vento atravessou meu rosto com precisão. meus olhos alcançaram distâncias maiores do que antes. o espaço não se apresentava mais como ameaça. havia uma nitidez crua nas formas.</p>



<p>eu existia dentro daquele cenário.</p>



<p>meu corpo não era mais o mesmo. os músculos sustentavam uma nova distribuição de força. a pele reconhecia o próprio limite.</p>



<p>eu me vi renascer das cinzas. respirava novamente sem você. acordei em um lugar onde as metáforas eram possíveis, já que todas as que usei para te explicar meus sentimentos foram ignoradas.</p>



<p>eu percebi que não precisava apagar a memória de nada. eu não preciso enterrar o que foi real. fazer renascer o mundo inteiro que ainda estava lá, inteiro e indiferente,</p>



<p>me chamando para fora, fazia mais sentido pra mim.</p>



<p>mas como alguém que ama, digo: como era indescritível estar sob suas circunstancias. como me cabia estar no fundo do seu oceano, revelando todas as suas máscaras, participando de todo o seu mundinho. como era interessante te observar me puxando cada vez mais pra você&#8230;</p>



<p>de alguma forma, quando acordei sozinha, eu senti raiva como sangue na carne.</p>



<p>me deixei ficar naquele momento para não me ferir ainda mais com você. mas de alguma forma, algo me fez acordar e perceber que a fisicalidade do existir era real novamente. a urgência então, sem sombra de dúvidas, era retornar, despida, ao lugar que me fez mulher em um primeiro belo momento&#8230;</p>



<p>não houve redenção elaborada ou respostas perfeitas. pois a superação não é cruzar a margem. superação é reconhecer a própria carne antes de acreditar no que outra boca disse sobre ela.</p>



<p>um passo. um passo de cada vez. foi você que me ensinou isso. e como já dizia Buarque de Holanda “Quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem.”</p>



<p>e a cada movimento meu para longe, só confirmo que não estou na tua pele, na tua vida, em teu sangue. segurando as minhas lágrimas, seus aborrecimentos e suas vontades.&nbsp;</p>



<p>o passado não me retem. e isso bastava para continuar atravessando o que ainda viria.</p>



<p>agora, a floresta me guia.&nbsp;</p>



<p>ainda assim, eu sigo.&nbsp;</p>



<p>para longe de tudo o que me fizer chorar.</p>



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