Jovem de Feira de Santana é aprovado para cursar cinema em universidades internacionais

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O jovem também afirma que deseja servir de inspiração para outros estudantes e artistas do interior que sonham em alcançar oportunidades internacionais

O jovem feirense Marcus Levy, de 18 anos, foi aprovado para estudar cinema em universidades renomadas dos Estados Unidos. As aprovações vieram da Columbia College Chicago, a DePaul University e a California State University, Los Angeles, instituição que pretende frequentar caso consiga concluir as etapas necessárias para estudar no exterior. 

Além de uma realização pessoal, a aprovação também marca uma conquista para o cenário artístico do cinema de Feira de Santana e da Bahia. Segundo o jovem, a primeira aprovação chegou no dia 8 de novembro de 2025, um dia antes da prova de Ciências Humanas do Enem. Marcus relembra que recebeu a notícia ainda pela manhã, ao verificar o e-mail enviado pela Columbia College Chicago informando uma atualização em seu portal de inscrição.

“Quando eu abri, estava a carta de aprovação, minha primeira aprovação. Chamei minha mãe na hora, falei com ela, ela ficou extremamente feliz. Chamei meu pai também, falei com minha irmãzinha… todo mundo se empolgou. No dia seguinte fiz até o Enem mais leve”, contou.

Meses depois, o jovem também foi aprovado na DePaul University e na California State University (CSU) , em Los Angeles, universidade escolhida por ele para dar continuidade à formação acadêmica. A CSU é reconhecida como uma das instituições públicas de ensino superior mais importantes e influentes dos Estados Unidos, o curso de cinema da instituição se destaca pela localização estratégica na indústria de Hollywood e infraestrutura de alto nível.

Apesar das aprovações, Marcus ainda aguarda a conclusão de etapas burocráticas necessárias para conseguir estudar nos Estados Unidos. Atualmente, o processo está na fase do I-20, documento exigido antes da solicitação do visto estudantil. Segundo ele, o principal desafio é a comprovação financeira exigida pelo governo norte-americano.

“Estamos fazendo de tudo para conseguir comprovar o I-20. É importante saber que o valor de comprovação não quer dizer que será exatamente o valor gasto, mas ainda assim é uma quantia muito alta”, explicou.

Uma trajetória marcada pela sétima arte

O interesse pelo cinema começou ainda na infância, quando Marcus gostava de escrever histórias e demonstrava interesse por filmes. Em 2022, passou a estudar edição de vídeo de forma independente e percebeu que queria seguir profissionalmente no audiovisual.

“Eu parei e me perguntei: ‘qual seria o auge da edição?’. E cheguei à conclusão que seria o cinema. Daí mergulhei de cabeça”, afirmou.

Sem contatos na área e sem experiência prática no audiovisual, Marcus decidiu buscar oportunidades por conta própria. Em janeiro de 2025, começou a escrever seu primeiro roteiro e procurou produtoras da cidade para tentar transformar o projeto em realidade. Foi nesse período que iniciou parceria com a Sertanas Filmes, produtora responsável por ajudá-lo a dar os primeiros passos no setor.

“Eu tinha 16 anos e absolutamente nenhuma experiência no audiovisual. As meninas da Sertanas aceitaram o projeto, e eu sempre serei eternamente grato por isso”, disse.

Marcus relata que estudou inglês sozinho durante o processo de preparação para as universidades internacionais. Segundo ele, a rotina envolveu horas diárias de estudo e preparação para o teste de proficiência realizado em outubro de 2025.

“A aprovação já é uma conquista muito importante pra mim, mas desde o momento em que passei eu preferi manter os pés no chão e não tratar tudo como garantido”, declarou.

Entre suas referências cinematográficas estão nomes como Christopher Nolan, Stanley Kubrick, Chloé Zhao, Walter Salles e Ryan Coogler. Ele também destaca admiração pelo trabalho de montadores como Daniel Rezende, Affonso Gonçalves, Jennifer Lame e pelos fotógrafos Lukasz Zal e Greig Fraser.

Sobre o tipo de cinema que deseja construir, Marcus afirma que busca produzir obras que provoquem reflexão no público.

“O cinema que eu quero fazer é um que não dê respostas, mas perguntas. Quero usar minha arte para que as pessoas reflitam e se emocionem com meus filmes”, destacou.

O jovem também afirma que deseja servir de inspiração para outros estudantes e artistas do interior que sonham em alcançar oportunidades internacionais.

“Não devemos achar que somos inferiores só por sermos de Feira de Santana ou de qualquer cidade do interior. O mundo pode ser nosso, mas para isso precisamos entender que podemos ser quem quisermos”, concluiu.

Fonte: Jornal Folha do Estado / Foto: Divulgação



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