Dados consolidados pelo IBGE na última quinta-feira (23/04/2026) indicam que o trabalho doméstico remunerado na Bahia segue marcado por queda no contingente de trabalhadores, baixa remuneração média e elevada informalidade, além de forte concentração entre mulheres pretas e pardas. As informações, baseadas na PNAD Contínua e no Censo Demográfico, evidenciam a persistência de desigualdades estruturais no setor, mesmo diante de avanços institucionais nas últimas décadas.
Redução no número de trabalhadores e participação no mercado
Em 2025, a Bahia registrou 402 mil pessoas ocupadas em serviços domésticos, o equivalente a 6,2% da população ocupada, proporção superior à média nacional de 5,5%. Ainda assim, os dados apontam tendência de retração contínua.
Na comparação anual, houve uma queda de 4,7% em relação a 2024, quando o estado contabilizava 422 mil trabalhadores domésticos. Em uma análise mais ampla, desde 2012, a redução chega a 7,2%, refletindo mudanças no mercado de trabalho e possíveis transformações no padrão de contratação de serviços domésticos.
Apesar da retração, a participação da atividade na estrutura ocupacional baiana permanece significativa, situando o estado entre os que possuem maior proporção relativa dessa ocupação no país.
Baixa remuneração e desigualdade salarial
Os dados reforçam uma característica histórica do setor: o trabalho doméstico é o que apresenta menor rendimento médio entre as ocupações.
Em 2025, o rendimento médio mensal dos trabalhadores domésticos na Bahia foi de R$ 910, valor 58,7% inferior à média geral estadual, que atingiu R$ 2.204. A discrepância é ainda mais evidente quando comparada à renda dos empregadores, cuja média foi de R$ 4.938.
No cenário nacional, o rendimento médio da categoria foi de R$ 1.367, colocando a Bahia entre os estados com menores salários do país, à frente apenas de Piauí e Maranhão.
Informalidade elevada e impacto na renda
A informalidade permanece como um dos principais desafios do setor. Em 2025, 83,1% dos trabalhadores domésticos na Bahia não possuíam carteira assinada, o que representa cerca de 334 mil pessoas.
A ausência de vínculo formal impacta diretamente a renda. Trabalhadores sem carteira recebiam, em média, R$ 768 mensais, valor inferior à metade do rendimento daqueles com formalização, que alcançavam R$ 1.602.
Esse quadro evidencia a fragilidade das condições de trabalho e a dificuldade de consolidação dos direitos trabalhistas na categoria, mesmo após avanços legais ocorridos nos últimos anos.
Perfil social: predominância feminina e racial
O trabalho doméstico na Bahia possui um perfil fortemente marcado por recortes de gênero e raça.
Dados do Censo de 2022 mostram que 96,1% dos trabalhadores domésticos eram mulheres, totalizando mais de 246 mil profissionais. Entre elas, 85,6% se declaravam pretas ou pardas, o que representa 82,2% de toda a força de trabalho doméstica no estado.
Esse padrão revela a permanência de desigualdades históricas no mercado de trabalho, com concentração da atividade entre grupos socialmente mais vulneráveis.
Escolaridade e distribuição regional
O nível de escolaridade dos trabalhadores domésticos também reforça a vulnerabilidade da categoria. Em 2022, 67,9% não haviam concluído o ensino médio, sendo que 45,8% sequer finalizaram o ensino fundamental.
Apenas 1,2% possuíam ensino superior completo, indicando baixa mobilidade educacional no segmento.
Do ponto de vista territorial, municípios como Nordestina, Iramaia e Miguel Calmon apresentavam as maiores proporções de trabalhadores domésticos em relação à população ocupada. Já Salvador registrava 5,7%, ocupando posição intermediária no ranking estadual.